Localismo

Vejamos agora a armadilha do localismo. O localismo é um subproduto do restauracionismo e já fora denunciado pelo irmão W. Nee, com um desvio da doutrina que ele pregava. Não é meu desejo rotular o cristianismo denominacional de errado. Tão somente afirmo mais uma vez que, para o corpo de Cristo se tornar uma eficaz expressão local, a base de comunhão deve ser uma base verdadeira. E esta base é um relacionamento vivo dos membros com o seu Senhor e uma submissão voluntária a Ele como cabeça. Não estou defendendo aqueles que farão uma nova seita de algo que pode ser chamado de “localismo” – isto é, a demarcação rigorosa das igrejas através de localidades. Este tipo de coisas pode acontecer facilmente. Se o que estamos praticando hoje em vida se torna amanhã um simples método, de tal forma que através de suas próprias características alguns que pertencem a cristo são excluídos disto, que Deus tenha misericórdia de nós e destrua este método! Pois todos aqueles em quem o Senhor, o Espírito, tem liberdade, esse são nossos e nós somos deles. O meu desejo é defender somente aqueles que verão o homem celestial, e que depois em suas vidas e comunhão seguirão aquilo que viram! Cristo é o cabeça do corpo – não o cabeça de outros “corpos” ou unidades de religião. O envolvimento no corpo espiritual de Cristo é que firma o compromisso do cabeça conosco, seus membros – isto e somente isto (What Shall This Man Do, W. Nee).   É comum hoje em dia muitos amados grupos de irmãos se reunirem em vários lugares do mundo como igreja na cidade, assim como, as Igrejas em apocalipse (Ap 1: 4,11), e outras que em geral como a igreja em Corinto(1 Co 1:2) e em Jerusalém (At 8:1), que tinham como base de delimitação se reunir também na cidade/localidade. Alguns pressupõem que este requisito a ser observado é suficiente para se praticar a vida da igreja de maneira correta. Contudo, existem outros itens a serem considerados:   (…) “IV. A CONSEQÜÊNCIA DA DEGRADAÇÃO DA IGREJA No versículo 5, vemos a consequência da degradação da igreja. “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, volta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” A consequência da degradação da igreja é perder o testemunho. Perder o testemunho simplesmente significa ter o candelabro removido. Se abandonarmos o nosso primeiro amor para com o Senhor e não nos arrependermos, perderemos o testemunho do Senhor e o candelabro será removido de nós. Anos atrás, o testemunho dos Irmãos Unidos era bastante brilhante, mas não é assim hoje. Não há dúvida de que o candelabro foi removido da maior parte das assim chamadas assembleias dos Irmãos Unidos. Quando você entra em suas assembleias, não sente nada brilhando lá. Não há luz nem testemunho. Precisamos ser cuidadosos e constantemente estar alertas para evitar essa consequência. Não pensem que, porque somos as igrejas locais como os candelabros e somos o testemunho de Jesus, não podemos perder o nosso testemunho. O dia em que perdermos o nosso primeiro amor para com o Senhor será o dia em que perderemos o testemunho! Naquele dia, o candelabro será removido. (Lee, Witness. Estudo-Vida de Apocalipse. SP: Ed. Árvore da Vida. 1995. Vol. I . p. 140) (…)   Fica assim evidente que poderia existir um grupo de irmãos que se reúnem como igreja em Éfeso, mas que poderiam ter seu testemunho de igreja local genuína removido!. No momento em que o brilho e o testemunho do Candeeiro (igreja local) se apagam pode-se proclamar a posição local como for. Mas a característica de um mero movimente acaba por ser o estigma mais contundente no grupo de irmãos: “Não somos a igreja quando tomamos o nome de igreja local, mas sim quando existe capacidade de inclusão espiritual para conter todos os filhos de Deus” (Nee, Watchman. Palestras Adicionais sobre a Vida da Igreja. SP: Ed Árvore da Vida. 7º Edição.1994 p.70). Ainda bem que o corpo de Cristo não pode ser patenteado!, graças à Deus a posição de Igreja local não é vitalícia, pois evita assim que a mornidão e frieza espiritual acomode permanentemente os cristãos. E exclua os crentes sequiosos do Verdadeiro viver do Corpo de Cristo na comunhão genuína de uma verdadeira igreja local. A apropriação privada do título de Igreja Local sem a realidade do Corpo só serve para os grupos sectários e autoritários que tem dificuldades de conduzir o povo de Deus plenamente sensíveis e submissos a autoridade do Espírito Santo:   “Não é meu desejo atacar o denominacionalismo como errôneo. Eu apenas digo, mais uma vez, que, para que o Corpo de Cristo encontre uma expressão local eficiente, a base de comunhão deve ser verdadeira. E esta base é a relação de vida dos membros com o Seu Senhor e a sua pronta submissão a Ele como o Cabeça. Nem estou defendendo aqueles que criam (ou criarão) uma nova seita de algo chamado “localismo” – ou seja, a estrita demarcação de igrejas por localidades. Porque tal pode facilmente ocorrer. Se o que estamos fazendo hoje na vida se tornar amanhã um simples método, de modo que, por seu caráter, alguns que pertencem a Cristo sejam excluídos, que Deus tenha misericórdia de nós e acabe com este método! Pois todos aqueles em quem o Senhor, o Espírito, tem liberdade são nossos e nós somos deles. Não, só estou defendendo aqueles que verão o Homem celestial, e que, em sua vida e comunhão, seguirão aquilo que viram! Cristo é o cabeça do Corpo – não de outros “corpos” ou unidades religiosas. O envolvimento do Corpo espiritual de Cristo é que assegura o compromisso do cabeça conosco, os Seus membros – isso, só isso”. (Nee, Watchman. A Direção de Deus para o Homem. São Paulo: Editora dos Clássicos. 2004. p. 216).   Existe a tendência de todo e qualquer cristão cair em meros métodos humanos de fazer a obra de Deus, totalmente desprovidos do Espírito (Jo 6:63). É possível Delimitar-se igrejas por localidades pensado que o essencial no verdadeiro frescor da Igreja de Deus é restringir os irmãos a cidade. Como se tal delimitação garantisse a permanência de um candelabro monopolizado nas mãos de alguns, e que transformaram as igrejas locais em igrejas ministeriais (ver o item “Ministerialismo”). Aí reside o verdadeiro significado do Localismo, pois os “detentores” da “patente legal” de igreja local podem achar que o nome Igreja local os contempla como os únicos e verdadeiros possuidores da verdadeira expressão da igreja. Alguns acham que este nome que já virou um grande trunfo para alguns que se encontrarem pelo menos aparentemente biblicamente corretos (sem inclusividade em relação aos filhos de Deus está incompleto), tem feito muitos esquecerem da verdadeira unidade espiritual, isenta do exclusivismo religioso, e da discriminação em qualquer de suas manifestações.   Se você quer se aprofundar no tema, não deixe de ler A VIDA CRISTÃ NORMAL DA IGREJA de W. Nee. Referência Bibliográfica: 1- A Bíblia 2- Lee, Witness. Estudo-vida de Apocalipse.SP: Ed. Árvore da Vida. 5ºed. 1995. p. 481. 3- Nee, Watchman. A Vida Cristã Normal da Igreja. SP: Ed Árvore da Vida. 1º ed. 2003. p.238. 4- Nee, Watchman. Palestras Adicionais sobre a Vida da Igreja. SP: Ed Árvore da Vida. 7º ed. 1994. p.187. 5- Lee, Witness. A expressão Prática da Igreja. SP: Ed Árvore da Vida. p.213. 6- Nee, Watchman. A Igreja Gloriosa. SP: Ed Árvore da Vida. p.168. 7- Nee, Watchman. A Ortodoxia da Igreja. SP: Ed Árvore da Vida. p.110. 8- Lee, Witness. A Peculiaridade, a Generalidade, e o Sentido Prático da Vida da Igreja. SP: Ed Árvore da Vida. p.85. 9- Lee, Witness. O que você precisa saber sobre a igreja. SP: Ed Árvore da Vida.
10- Nee, Watchman. A Direção de Deus para o Homem. SP: Ed dos Clássicos. p. 312.
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