Armadilhas do Sistema

O QUE É SISTEMA?
Um sistema é reunião de princípios de modo a formarem um corpo de doutrina; combinação de partes coordenadas que concorrem para a formação de um conjunto (*). Assim, o governo humano possui sistemas políticos, econômicos, jurídicos e sociais, os ajuntamentos humanos também tendem a organizar sistemas. A igreja quando deixa de ser guiada exclusivamente pelo Espirito Santo também tende a criar um sistema denominado sistema religioso. Assim como todo tipo de sistema, o sistema religioso também traz os mesmos elementos envolvidos:
– busca de poder ou manipulação política;
– busca de prestígio de uns em determento de outros;
– lutas internas;
– controle do membros;
– legitimação do poder;
– hierarquia explícita ou subentendida; e
– um corpo de normas ou doutrinas a serem observadas.
      Essas características tão presentes nos ajuntamentos humanos, entretanto, não são encontradas na igreja, naquela igreja de que trata a Palavra de Deus.
– a busca de poder ou política, a busca por prestígio e as lutas internas próprias do velho homem foram totalmente exterminada pela cruz de Jesus. O que sobrou foi que o maior (ou o que se acha maior), sirva o menor. Todos aqueles que passaram ou estão passando pela experiência da cruz sabem que nada são, além de servos ou escravos de Cristo.
– o controle do membros foi transferido para o controle do Espírito Santo. É Ele que orienta e conduz todas as coisas e pessoas na igreja.
– a legitimação passou a ser a expressão da aplicação da unção, de modo que todo aquele que serve, ora, profetiza ou ministra deve fazê-lo debaixo da unção que ensina todas as coisas. Os que são servidos também devem estar atentos à unção e à Palavra de Deus, a fim de não serem enganados ou levados por ventos de doutrina.
– não há hierarquia na vida da igreja, há apenas irmãos mais experientes que podem orientar, quando solicitado, irmãos menos experimentados. Trata-se de orientação apenas, mas nunca ordens; trata-se de amor e não de domínio; trata-se de vida e não de posição.
– todos os membros do Corpo de Cristo estão sujeitos apenas à Palavra de Deus, nada além, nem aquém disso. Qualquer tipo de regulamento, norma, obrigatoriedade ou disposição humana causará grande dano ao Corpo, especialmente quando utilizadas para controlar os membros por irmãos que não conhecem a cruz do Senhor.
      Há diversos sistemas religiosos. Uns mais terríveis, outros mais amenos.  Há até mesmo aqueles sistemas que pregam não serem um sistema ou serem contrários ao sistema dos quais fazem parte os irmãos anti-sistema.
      O que fazer para neutralizar ou afastar o sistema do nosso meio? Bem, somente um trabalhar profundo da cruz pode levar alguém a se libertar do sistema, uma vez que ele esta incrustrado nos nossos neurônios, isto é, no DNA do velho homem que herdamos ao nascer da carne. O cruz deve operar em um nível tão profundo na vida do crente que até mesmo suas boas intenções sejam crucificadas. Por outro lado, esse cristão também deve estar cada vez mais sensível à unção interior, para poder discernir os espíritos, a fim de saber se procedem de Deus ou não. Além disso, ele deve procurar renovar sua mente, a fim de conhecer, julgar e provar todas as coisas, especialmente à luz da Palavra de Deus.
 
O SISTEMA INFILTRADO NA MENTE
      O pior sistema, entretanto, é aquele que se aloja na mente do cristão; é aquele criado pelas suas convicções equivocadas, pela sua presunção em acreditar que possui algumas verdades porque leu alguns livros ou ouviu algumas boas mensagens. Essa certeza cega aliada a uma mente envelhecida e uma vontade passiva, tem criado um sistema de controle mental e produzido uma série de seitas religiosas tão cruéis que até duvidamos que sejam produto da criatividade humana. Nos últimos trinta anos a expressão ‘lavagem ao cérebro’ tem-se tornado muito comum. Em 1961 Robert J. Lifton escreveu o livro Thought Reform and the Psychology of Totalism [Reforma do Pensamento e a Psicologia do Totalitarismo], depois de ter estudado os efeitos do controle da mente de prisioneiros de guerra americanos na China comunista. Lifton enumera oito aspectos principais que podem ser usados para determinar se um certo grupo é uma seita destrutiva. Todas as religiões autoritárias deviam ser submetidas a este teste para determinarmos exatamente quão destrutiva é a influência que elas têm sobre os seus adeptos. Que cada um julgue por si mesmo. 1. Controle do Meio As seitas usam várias técnicas para controlar o meio das pessoas que recrutam, mas usam quase sempre uma forma de isolamento. Os adeptos podem ser fisicamente separados da sociedade ou pode-se-lhes ordenar, sob pena de punição, que se mantenham afastados dos meios de comunicação social, especialmente se estes os levarem a pensar criticamente. Todos os livros, filmes ou testemunhos de ex-membros do grupo (ou de qualquer outra pessoa que critique o grupo) têm de ser evitados. A organização ‘mãe’ arquiva cuidadosamente informações acerca de cada recruta. Todos são vigiados, para que não se afastem nem se adiantem em relação às posições da organização. Isto permite que a organização pareça omnisciente aos adeptos, pois sabe tudo sobre todos. 2. Manipulação Mística Nas seitas religiosas, Deus está sempre presente nas actividades da organização. Se uma pessoa sai da seita, quaisquer acidentes ou outros infortúnios que lhes aconteçam são interpretados como uma punição de Deus. A seita diz que os anjos estão sempre a velar pelos fiéis e circulam histórias em como Deus está realmente a fazer coisas maravilhosas entre eles, porque eles são “a verdade”. Desta forma, a organização reveste-se de uma certa “mística” que atrai o novo adepto. 3. Exigência de Pureza O mundo é descrito a preto-e-branco, não há necessidade de se fazerem decisões baseadas numa consciência treinada. A conduta da pessoa é modelada de acordo com a ideologia do grupo, conforme esta é ensinada na sua literatura. Pessoas e organizações são descritas como boas ou más, dependendo do seu relacionamento com a seita. Usam-se sentimentos de culpa e vergonha para controlar indivíduos, mesmo depois de eles saírem da seita. Eles têm grande dificuldade em compreender as complexidades da moral humana, pois polarizam tudo em bem e mal e adoptam uma posição simplista. Tudo aquilo que é classificado como mau tem de ser evitado e a pureza só pode ser atingida se o adepto se envolver profundamente na ideologia da seita. 4. O Culto da Confissão Pecados sérios (segundo os critérios da organização) têm de ser confessados imediatamente. Os membros da seita que forem apanhados a fazer alguma coisa contrária às regras têm de ser denunciados imediatamente. Existe muitas vezes uma tendência para ter prazer na degradação de si mesmo através da confissão. Isto acontece quando todos têm de confessar regularmente os seus pecados na presença de outros, criando assim uma certa unidade dentro do grupo. Isto também permite que os líderes exerçam a sua autoridade sobre os mais fracos, usando os “pecados” deles como um chicote para controlá-los. 5. A “Ciência Sagrada” A ideologia da seita torna-se na moral definitiva para estruturar a existência humana. A ideologia é demasiado “sagrada” para se duvidar dela e requer-se que o adepto tenha reverência pelos líderes. A seita alega que a sua ideologia tem uma lógica infalível, fazendo parecer que é a verdade absoluta, sem contradições. Um sistema assim é atractivo e oferece segurança. 6. Linguagem Elaborada Lifton explica que as seitas usam de forma abundante “clichés para acabar com o pensamento,” expressões ou palavras que são forjadas para acabar a conversa ou a controvérsia. Todos conhecemos os clichês “capitalista” e “imperialista,” usados por manifestantes anti-guerra nos anos sessenta. Estes clichés memorizam-se facilmente e têm efeito imediato. Chamam-se a “linguagem do não-pensamento,” pois terminam a discussão, dispensando quaisquer considerações adicionais. Entre as Testemunhas de Jeová, por exemplo, expressões como “a verdade,” “a sociedade,” “a organização,” “o novo sistema,” “a nova ordem,” “os apóstatas” e “as pessoas do mundo” contêm em si mesmas um julgamento dos outros, não é necessário pensar mais neles. 7. Doutrina Acima das Pessoas A experiência humana é subordinada à doutrina, independentemente de quão profunda ou contraditória tal experiência seja. A história da seita é alterada para se ajustar à lógica doutrinal. O indivíduo só tem valor na medida em que se conforma aos modelos pré-estabelecidos pela seita. As percepções do senso comum são desconsideradas, se forem hostis à ideologia da seita. 8. Dispensados da Existência A seita decide quem tem o “direito” de existir e quem não tem. Eles decidem quem morrerá na batalha final do bem contra o mal. Os líderes é que decidem quais são os livros de história exactos e quais são os tendenciosos. As famílias podem ser destruídas e os estranhos podem ser enganados pois não merecem existir!
Autor: Randall Watters Fonte: Revista Defesa da Fé, Publicado em 11/26/2004
     Por fim, veja abaixo os efeitos psicológicos produzidos por aqueles que estão vivendo em sistemas religiosos:
(…) As conferências maratônicas, as convenções coletivas, as sistemáticas conversas que captam a atenção dos iniciados e incidem negativamente sobre suas energias as quais diminuem com a privação de descanso deliberada e com uma alimentação com baixo valor protéico (…) Tão intensas são as pressões exercidas desse modo que o campo de atenção do iniciado se reduz por completo, o qual se converte em um ser sumamente influenciável. Abandona a liberdade que possuía antes de ingressar na seita e está disposto a aceitar todas as ordens incondicionalmente. Trata-se de um estado de consciência tal que se assemelha a um estado de transe. Valendo-se de reuniões intermináveis e um pilha de doutrinas para manter e fortalecer a receptividade do iniciado, os proselitistas tentam levar a cabo uma profunda transformação ideológica. Com o tempo, o iniciado assume o estilo de vida da seita, e a visão de mundo que ele tinha antes de ingressa na seita passa a ser uma lembrança distante, em parte esquecida, em parte anulada. Obviamente os líderes não perdem a oportunidade de enumerar os castigos para os que desobecem. A redenção e a salvação está reservada aos crentes e praticantes convencidos; para os que os deixam está reservado sofrimento eterno. Chega o dia em que a mente do devoto parece estar dividida, gerando uma segunda personalidade que lhe é imposta pela seita, a qual começa a conseguir alguma autonomia, lutando contra a personalidade anterior para ocupar o primeiro plano. Pouco a pouco, essa pessoa continua sendo convertida em outro homem diferente do que era… O transtorno psicológico que se pode desencadear é do tipo psicótico, o qual corresponde a um transtorno conhecido no DSM-III*. As alterações que ocorrem com os membros de uma seita após abandoná-la são: – estress pós-traumático – reações esquizóides – ansiedade – fobias – reações de estress em forma de traumas físicos – falta de apetite pela perda de ideais e objetivos anteriores – deterioração da memória e do funcionamento intelectual – problema na formulação do pensamento – depressão que vem da perda de amigos e de um projeto de salvação – desconfiança em si mesmo por ter-se deixado manipular e temor da própria autonomia – dificuldade para estabelecer relações sociais entre iguais…
Se você conseguiu se libertar do controle da mente pelo sistema, está pronto para enfretar as grandes armadilhas do sistema religioso. São armadilhas difíceis de desarmar e é quase impossível não cair nelas em algum momento da vida cristã. Que o Senhor nos conceda graça para vencê-las e estar de pé na volta do Filho do Homem!

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