A Adoração da Bíblia

Uma grande armadilha do sistema diz respeito ao culto à Bíblia ou à falta da sua prática. É um fenômeno observado em grupos que acreditam ser espirituais e intelectualizados. Normalmente, esses grupos são inférteis, isto é, não há pregação do Evangelho, não há novos convertidos, não há novidade de vida. A Palavra entretanto é objeto de culto e adoração, em que pese poucos ousem praticar seus princípios. Normalmente, são grupos que valorizam o conhecimento bíblico, os estudos bíblicos, a leitura de diversos livros, a pesquisas em manuscritos, mas, geralmente, falta viver o que se fala. É impressionante a quantidade de mensagens em áudio, vídeo e em papel disponibilizadas na Internet e na livrarias cristãs. Creio que em nenhuma outra era houve uma massa tão grande de material sobre assuntos cristãos.É possível concluir então que hoje a terra esteja cheia do conhecimento de Cristo: (…) porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar (Is 11:9). Bem, sim e não.Em países livres, realmente há muito material publicado e muitas pessoas tendo acesso e realmente desfrutando da graça em Jesus.Em países fechados, a igreja ainda sofre perseguições e mesmo as Bíblias são raras, que dizer de livros cristãos.Mas, gostaria de comentar o primeiro caso, o dos países abertos, como o Brasil.Assim como as pessoas, os grupos cristãos também se agregam em torno de características que lhes são comuns, ou de acordo com expectativas. Por exemplo, pessoas que desejam prosperar financeiramente, costumam procurar grupos que pregam a prosperidade. Consequemente, haverá nesse grupo uma grande quantidade de pessoas com esses anseios e com características semelhantes.Há pessoas que sabem que não podem ter muita liberdade, seja porque, no passado, utilizaram muito mal a liberdade que possuíam, ou porque têm um temperamento muito forte e necessitam de que outras pessoas lhe “ajudem”, limitando seu direito de ir, vir, ler, olhar, ouvir, provar etc. Tais pessoas, costumam se ajuntar em grupos que pregam regras ou limitam a liberdade dos demais através de um programa de discipulado pessoal, não aquele da Bíblia, mas o que costuma ser pregado em grupos controladores.Há também grupos que cultuam valores da juventude, músicas, festas; mas também há grupos “revolucionários” que adotam até tipos do Velho Testamento ou estratégias de marketing cristão agressivo do tipo ” para Jesus, o melhor!”; enfim, há grupos para todos os gostos e matizes, por que as pessoas são diferentes e têm expectativas diferentes também.Nesse contexto tão diversificado, não podem faltar um grupo peculiar de santos, geralmente tido como bem mais espiritual que os outros. Nesse grupo, lê-se muito, conhece-se muito a Bíblia e livros espirituais. Mas o que mais impressiona são as reuniões desses grupos. O centro de suas reuniões são as Palavras (Bíblia, livros cristãos, pontos de vista, autores consagrados ou desconhecidos, notas de rodapé, trechos miraculosos, experiências de santos do passado, interpretações complexas etc.). Mas o mais importante, o ponto culminante da reunião são os testemunhos. São geralmente contundentes e gravitam em torno do fracasso pessoal de cada presente. A reunião então se torna em um novo fenômeno de culto, o culto à desgraça, regado a tristeza e detalhes sobre almas cansadas, espíritos angustiados, pecados e toda sorte de misérias cristãs. Quanto mais miseráveis os testemunhos, mais “luz” terá tido a reunião. Para alcançar esse novo patamar espiritual, é interessante juntar alguns ingredientes: bons atores e um bom roteiro. Primeiramente, amontoe um grupo de cristãos oriundos de grupos cristãos “inferiores” espiritualmente. É necessário que eles sejam conhecedores profundos das Palavras. Pode haver também leigos, mas devem ficar quietos durante as reuniões. Não aconselhamos que se vá a esse tipo de reunião sem ter lido os livros mais comentados pelo grupo, para que você não passe vergonha e fique isolado. Após uns hinos ou músicas bem solenes, deve-se iniciar a exposição. As cortinhas então devem ser levantas e sem demora o mais iluminado do grupo deve tomar à frente. Deve haver também silêncio no ambiente. Nada de crianças pulando e falando absurdos durante a preleção. Geralmente elas mesmas saem a procura de um ambiente mais alegre. Mas se elas teimarem em ficar, uma irmã amável deverá encaminhá-las a um local mais reservado para não atrapalhar o desfrute da igreja. Pode-se dar a elas alguns papéis em branco e lápis de cor. Os adolescente devem permanecer na reunião, mas sem conversas paralelas (eles adoram esse tipo de conversa). Bem… a exposição deve ser feita de forma contundente, utilizando-se de muitas ilustrações, não se esquecendo de falar nomes de livros e autores, e de muitas experiências de irmãos do passado. Após a mensagem, os demais podem compartilhar. O roteiro básico é simples e de fácil reprodução. Deve-se falar sobre:a) como as Palavras foram esclarecedoras;b) como nos sentimos iluminados e expostos;c) decepções consigo próprio não devem ser omitidas;d) lembre-se: quanto mais fracassos, melhor será a reunião. Após comentários finais sobre como você foi derrotado na semana que passou, como sua carne, vida da alma e velho homem foram prevalecentes, será o momento de serem realizadas algumas orações como convém a grupos cristãos. Quem não souber orar, é melhor ficar calado, falando apenas amém de vez em quando. As orações devem tratar de desgraças, misérias e, para seguir o curso da reunião, mais fracassos e decepções devem ser mencionadas. Algumas lágrimas são úteis para tornar o clima mais solene e profundo. Por fim, devem ser feitos votos de que tudo mudará, que a partir daquele momento amaremos mais o Senhor, oraremos mais e leremos mais a Bíblia, desde que Deus cumpra a parte dEle, fazendo-nos mais santos e amáveis. Importante: os verbos tem de estar obrigatoriamente no futuro do subjuntivo: que possamos de amar… que possamos viver no espírito… que possamos Te buscar mais….que possamos isso e que possamos aquilo. Esse recurso nunca falha e mostra nossa disposição para uma mudança “radical” de vida.Terminada a reunião, isto é, na fase final de orações, todos podem falar novamente, em especial os leigos, agora já devidamente iluminados. Salgadinhos, café, suco, refrigerantes e bolos são bem-vindos desde que bem feitos. As crianças também podem voltar para a sala. Nesse momento, o clima deve ser descontraído e alegre, onde todos devem falar de amenidades: sobre o tempo, economia ou alguma promoção ou novo produto lançado recentemente, já que ninguém é de ferro. Para não deixar o clima ficar tão carnal, pode-se também falar alguma coisa sobre a vida pessoal de algum irmão desviado, mas apenas para fins de oração e jejum. Se você esquecer de orar logo quando chegar em casa, não tem problema…ninguém lembrará mesmo. Pronto, terminada a reunião de verdade, é sempre bom ajudar a arrumar a sala, para que a coitada da irmã que cedeu sua casa não fique arrumando tudo sozinha noite a dentro. Aliás, arrumando de novo já que antes da reunião ele teve de arrumar a casa e especialmente o lavabo que agora deve estar todo sujo novamente, com a tampa do vaso devidamente aberta. Baixam-se as cortinas e os atores voltam para seus carros, ônibus, trem e vidas. Se a reunião terminar cedo, ainda haverá tempo para ver algum filme, comer pipocas ou ler um bom livro, preferencialmente aquele que o grupo está desfrutando. Afinal, você não vai querer ficar de fora na próxima reunião, não é mesmo? As luzes então são apagadas. Após os aplausos, as luzes novamente são acesas e o auditório de anjos então se levanta, e todos ordeiramente deixam a sala em direção às saídas, comentando a performance dos atores, mas ansiosos pelo próximo espetáculo. E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer. E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós. Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; e não quereis vir a mim para terdes vida (Jo 5:37-40).  
Se o grupo a que você pertence esta nessa situação acima mencionada, há necessidade de um profundo arrependimento, pois se a situação chegou a esse ponto, houve necessariamente falsidade e falta de fé no poder da Palavra de Deus. Através do ministério da exortação de algum santo, cada um do grupo poderá ser iluminado e arrepender-se de suas atuações teatrais e da leviandade como estão conduzindo suas vidas cristãs. Mas, por favor, não espere pelos outros! Tenha hoje mesmo comunhão com o Senhor, chegue a Ele com um sincero coração quebrantado e busque perdão e um novo começo. Nosso Deus é misericordioso…mas não se esqueça, Deus nunca poderá conceder fé a alguém que não é genuíno no que faz e diz.
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Comments (1)

  • Alexander

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    A PERGUNTA DE JOÃO BATISTA Mateus 11:2-3. Retrata esta situação nas “igrejas”

    Esta é a igreja que havia de ser instituída? Aquela cujo noivo detentor de toda autoridade entregou-se por ela? Esta que pelo Espírito testificaria do filho e cujas portas do inferno não prevaleceriam contra ela?
    Não! Caro João. Muitos cegos ainda não vêem, muitos coxos ainda não andam, há ainda muitos leprosos, há pouquíssimas ressurreições, alguns nem crêem na ressurreição, muitos oprimidos do diabo ainda estão presos e aos pobres nem sempre é anunciado o evangelho.
    Continua no Link Pedras no Caminho/Libertação do Sistema

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