A Unidade

A unidade da igreja já foi vista no passado como uma necessidade de que todos os irmãos que se separaram em diferentes denominações abandonem suas bandeiras e vão para debaixo única e exclusivamente do nome de Cristo.
De fato, investigando o Novo Testamento, não há como justificar as divisões do povo de Deus. Pelo contrário, há vários versículos que condenam as divisões por opiniões ou doutrinas, seja entre judeus e gregos, sejam entre gentios entre si, chamando essas pessoas divisivas de carnais ou meninos em Cristo (1 Co 3:1-3). Ocorre-nos, entretanto, o seguinte questionamento: ainda que todos os cristãos abandonassem seus grupos, haveria alguma garantia de que eles seriam um só em Cristo?
Imagine que cada grupo cristão, reunindo-se na mesma cidade, seja representado por um desses círculos. Assim, nessa cidade, haveria seis grupos cristãos. Daí alguém chega e diz para os irmãos que estão nesses grupos:
        ei, porque vocês estão se dividindo? Porque não saem desses grupos e passam a viver a unidade? Alguns irmãos então resolvem sair do grupo e passam a viver juntos. Com o passar dos anos, o grupo então começa a criar algumas peculiaridades que os diferencia dos demais grupos. Inexplicavelmente então, nessa cidade em que havia seis grupos, surge mais um, o sétimo grupo que se identifica como aqueles que não pertencem a nenhuma facção nessa cidade. Os demais grupos então criticam esse novo grupo dizendo que ele nada mais é que uma nova divisão no Corpo de Cristo, só que sem nome e sem identificação. O novo grupo então rebate essas críticas dizendo que eles estão testemunhando a unidade da igreja nessa cidade, isto é, proclamando que, nessa cidade, não deveria haver seis grupos, mas apenas um: a igreja ou o sétimo grupo. Os demais grupos então argumentam:         qual o critério utilizado para que vocês possam dizer que são um em Cristo e nós não? O grupo novo então responde que é porque eles, o sétimo grupo, está no espírito e os demais grupos não. Daí a controvérsia se alonga em intermináveis discussões. É interessante notar que, para afirmar que um grupo de pessoas é um com o Senhor no espírito, tenho de sondar o coração de todas as pessoas na cidade, as que estão no grupo novo e as que não estão. Para ter tal capacidade, a pessoa que dá o testemunho dessa unidade só pode ser o Espírito Santo, o único capaz de sondar corações e mentes. Como se pode notar, esse critério de entender o Corpo de Cristo como grupos isolados não é útil, razoável, nem lógico, quando se busca a unidade, porque parte de dois pressupostos que não podem ser aferidos por nenhum ser humano: 1º pressuposto: se em uma cidade há um pequeno grupo que testemunha a unidade, logo, o coração desses irmãos é um. Isso é verdade? Todos esses irmãos são de fato um? Quem pode determinar isso? Só o Espírito Santo. 2º pressuposto: nessa mesma cidade, todos os demais irmãos que não estão dando esse testemunho de unidade não são um; não são um com Cristo e não são um com os demais santos. Ou será possível alguém ser um com Cristo e estar dividido dos demais irmãos? Quem pode determinar isso? Só o Espírito Santo.

A CAMINHADA

Qual o melhor critério então para entender a vida da igreja e nos relacionarmos com todos os cristãos que estejam na mesma cidade? Veja a fotografia abaixo:     Ela apresenta algumas pessoas caminhando. Algumas estão lado a lado; outras estão na frente e ainda outras estão atrás. Se você reler os Evangelhos, notará que a vida do Senhor nesta terra foi uma vida de peregrinar. Ele visitava as pessoas, entrava em cidades, passavam por caminhos, montes e praias; deitava ao relento com seus discípulos, comia com eles, dormia com eles, acordava com eles e voltava a caminhar. Até mesmo no livro de Atos, a igreja foi identificada como aqueles do CAMINHO, talvez pela atitude que eles tinham de não se apegar nesta Terra. Parece-nos que, ao invés de estarmos vivendo uns com os outros em círculos fechados como se o grupo fosse um fim em si mesmo, a vida da igreja melhor seria representada como uma grande peregrinação nesta Terra, uma procissão triunfante. Nessa caminhada, encontramos várias pessoas, recebemos o Evangelho, pregamos o Evangelho e continuamos caminhando para o alvo. Durante a caminhada, o Senhor pela Sua soberania coloca-nos ao lado de outros companheiros de caminhada. Com esses companheiros, temos comunhão, oramos juntos, sofremos juntos e aprendemos juntos. Mas há muitas outras pessoas nessa caminhada: uns estão atrás, ainda passando por lugares que já passamos há muitos anos; outras estão à nossa frente, encontrando lugares que nem sonhamos que existam; há ainda alguns que resolveram parar de caminhar e se estabeleceram pelo caminho; outros ainda estão caminhando em círculos discutindo algumas questões acerca de como caminhar melhor. Esse caminho, contudo, é muito estreito e acidentado e muitas pessoas desistem dele ou não se aventuram em trilhá-lo. De qualquer forma, os que iniciaram sua caminhada e perseveram, um dia chegarão ao fim dessa caminhada, uns antes, outros depois. A visão da caminhada ao invés da visão circular ajuda-nos a nos relacionar com os demais irmãos na mesma cidade. Há santos que estão caminhando com grupos denominacionais, há outros que estão caminhando com grupos não-denominacionais; há ainda aqueles que estão caminhando nas casas. Não importa a situação, importa que continuemos caminhando. Sim, há alguns que param de caminhar e passavam a viver em função do grupo; mas há também aqueles que, independente do lugar em que se encontram, querem continuar caminhando. Podemos ajudar esses irmãos e podemos receber ajuda deles. Podemos ser até mesmo companheiros de caminhada por um tempo. Qual o problema? Não estamos indo para o mesmo lugar e não temos todos o mesmo alvo? Essa caminhada pode durar um tempo curto ou pode durar anos. Além disso, a visão da caminhada é dinâmica, enquanto a visão circular é estática. Há alguns companheiros que conhecemos no passado que resolveram parar de avançar, mas que hoje voltaram para a caminhar. O importante é que cada um de nós prossiga para o alvo individualmente, mas que não rejeite caminhar com os companheiros de caminhada que estão ao nosso lado. Assim, podemos nos encorajar mutuamente. Todos podemos aprender juntos a conhecer a Cristo:

Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus (Ef 3:17-19).

Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis (1 Ts 5:11)

Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado (Hb 3:13)

E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? (Lc 24:32)

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14:6)

 

UNIDADE PARA DEUS

Se estar em denominações não é o ideal, mas também procurar esta unidade também não nos traz garantias, que fazer? Talvez o problema maior a ser enfrentado seja o nosso conceito de unidade. Será que unidade para nós é a mesma coisa que unidade para Deus? Para ajudar a solucionar essa questão, vamos ver primeiramente o que é unidade para os homens: – fazer as mesmas coisas – gostar as mesmas coisas – criticar as mesmas coisas – ler os mesmos livros ou ler os livros do mesmo autor – não ler outros livros que não a Bíblia – vestir-se da mesma forma – usar véu ou não usar véu – falar em línguas ou não falar em línguas – reunir-se nas casas ou reunir-se nos templos ou reunir-se nas casas e nos templos – não falar mal dos líderes – concordar com as diretrizes e decisões do grupo – participar das reuniões com frequência – envolver-se com os serviços da igreja – pregar o Evangelho – distribuir folhetos, vender livros ou jornais Estranhamente, nós não encontramos esse conceito de unidade da Bíblia, especialmente no Novo Testamento. Se Deus não pensa em unidade dessa forma, seria muito interessante saber como Ele pensa, até mesmo para sabermos se o que estamos praticando ou almejando é a mesma unidade que Deus pratica e almeja. Vejamos. Se você leu o tópico DIAMANTE DE VÁRIAS FACETAS no site, notou que ali podemos encontrar algumas pistas do que seja unidade para Deus. Uma dessas pistas está no Evangelho de João, capítulo 17. Ali lemos uma oração maravilhosa que seria desconhecida se Jesus não a tivesse feito em voz alta. Na realidade, é uma conversa íntima entre o Pai e o Filho, acerca da saudade de estarem juntos e de como, após a partida do Filho, poderíamos viver neste mundo. Nessa oração tão intrigante, Jesus fala de uma relação da unidade que Ele mantém com o Pai. Ele diz que os dois são um! O Apóstolo João ficou tão impressionado com essa questão que, na sua Primeira Epístola capítulo 1, versículo 3, ele nos disse que:

“o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós, para que vós também tenhais comunhão convosco; e, de fato, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo”

Note que o Apóstolo tinha uma comunhão com os irmãos, mas essa comunhão era no Pai e no Filho. Quando João estava nessa comunhão e quando os irmãos também se encontravam nessa mesma comunhão, ali havia unidade. Essa comunhão maravilhosa do Pai, Filho e Espírito é como um ponto de encontro, onde todos os irmãos podem ir e permanecer.  Além de ser a origem da comunhão, esse “lugar” também é a fonte, a força original, a vitalidade e o motor que impulsiona a comunhão do Corpo de Cristo no Deus Triúno. Quando estamos todos nesse “lugar”, isto é, no Deus Triúno, então estamos na unidade. Quando estamos foram desse “lugar”, já estamos na aparência, na religião e na divisão. O Apóstolo Paulo, definiu essa unidade através de vários exemplos. Um deles está em 1 Co 6:17:

Aquele que se une ao Senhor é um Espírito com Ele.

Dito de outra forma, quando estamos no nosso espírito somos um com o Senhor. Se todos estiverem no espírito, então seremos um, pois é no nosso espírito que o Pai, o Filho e o Espírito habitam. Não há outro lugar onde se possa desfrutar dessa unidade. Se você procurar ler as epístolas de Paulo, verá várias outras metáforas acerca dessa unidade: o Corpo de Cristo, a família de Deus, o Novo Homem, o Casamento etc. Para o Apóstolo, essa unidade era tão importante que ele nos constrange em ser diligentes em nos esforçar diligentemente para “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz“, citando ainda que o motivo de sermos um é porque há:

“um só Corpo e um Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança do vosso chamamento; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4:3-6).

Note, por favor, querido irmão, que Paulo não está falando para nós buscarmos tal unidade. Ele está apenas descrevendo essa unidade que já possuímos por termos nascido de novo. Não se trata de uma herança a ser recebida ou uma meta a ser alcançada; trata-se da realidade perceptível e que pode ser experimentada no nosso espírito! Voltemos para João 17. Atente para os seguintes trechos em negrito: Depois de dizer isso, Jesus olhou para o céu e orou: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique. Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer. E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse. Eu revelei teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus; tu os deste a mim, e eles têm guardado a tua palavra. Agora eles sabem que tudo o que me deste vem de ti. Pois eu lhes transmiti as palavras que me deste, e eles as aceitaram. Eles reconheceram de fato que vim de ti e creram que me enviaste. Eu rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. Tudo o que tenho é teu, e tudo o que tens é meu. E eu tenho sido glorificado por meio deles. Não ficarei mais no mundo, mas eles ainda estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura. “Agora vou para ti, mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles tenham a plenitude da minha alegria. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade. “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. “Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo. “Pai justo, embora o mundo não te conheça, eu te conheço, e estes sabem que me enviaste. Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja”   Note as implicações dessa unidade nas palavras do próprio Senhor mencionadas nesses versículos: receber a glória do Filho; ter a plenitude da alegria; conhecer a Deus e a Cristo; receber a revelação do Pai; guardar o falar de Deus; experimentar que tudo o que há em Cristo vem de Deus; ser santificado na verdade; receber a Palavra; glorificar a Cristo e ser protegido no Nome. Quantas implicações há nessa unidade maravilhosa! Veja também o nível de unidade que Jesus estava revelando: a mesma que Ele mantinha e mantém com o Pai! Quando recebemos a glória que foi dada a Jesus, nos tornamos um. Para contemplar essa glória, Jesus pede ao Pai que nós estejamos com Ele onde Ele estiver. Mas que lugar é esse? A resposta também está no Evangelho de João. No capítulo 4, versos 23 a 24, Jesus diz que a hora vem e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão no espírito e em realidade. Por quê? Simplesmente porque Deus é Espírito, e é necessário que os que O adoram O adorem em espírito e em realidade. É só por causa disso. A descoberta que temos um espírito humano onde o Pai, o Filho e o Espírito podem habitar  foi a maior descoberta de todos os tempos (Zc 12:1; Mt 5:3, 26:41; 1 Co 2:10, 11, 5:3, 14:15-16; 2 Co 2:13, 3:6, 12:8; Ef 3:5; Gl 5:16, 25; Rm 8:4, 16, 12:11; Jo 3:6; Jo 6:63; Gl 6:8, 18; Lc 1:47; At 16:7, 20:22, 21:4; 1 Jo 4:1; 1 Pe 3:4, 4:6). Através dessas passagens, podemos notar que:   1) o Espírito Santo se comunica, fala e orienta o filhos de Deus no espírito de cada um, como uma unção interior que ensina todas as coisas (1 Jo 2:20, 27). Quando o Novo Testamento fala que o Espírito Santo disse ou orientou, certamente não está dizendo que foi ouvida uma grande voz vinda do nada. Na realidade, o Espírito Santo mesclado ao nosso espírito humano (1 Co 6:17) gera uma série de percepções espirituais que, traduzidas e interpretadas por uma mente renovada (1 Co 2:15; Rm 12:2), leva-nos a conhecer e entender o falar do Espírito (Mc 9:7; Rm 8:14; 10:7; At 16:7). 2) Quando o Novo Testamento fala do Espírito Santo, certamente está se referindo à pessoa do Deus Triúno. Entretanto, quando o Novo Testamento fala apenas de Espírito, ele pode estar se referindo tanto ao Espírito Santo, quanto ao espírito humano mesclado ao Espírito Santo, não havendo, portanto, como discernir sobre o que está sendo falado. Entretanto, quando o Novo Testamento fala de espírito com letra minúscula, está se referindo ao nosso espírito humano. Além disso, cabe destacar que o Novo Testamento em grego foi escrito só em maiúsculas, de modo que a utilização de letras maiúsculas ou minúsculas foi feita por estudiosos do nosso tempo. Desse modo, na dúvida se determinada passagem que utiliza a palavra Espírito (com letra maiúscula) de fato se refere ao nosso espírito mesclado ao Espírito Santo, optamos por analisar o contexto. Na quase totalidade dos casos nas Espístolas, de fato, Espírito refere-se ao nosso espírito mesclado ao Espírito Santo. Mas, voltando a João 17, que significa a glória ali mencionada? No capítulo 13, temos mais pistas. No verso 31, Jesus diz que foi glorificado o Filho do Homem, referindo-se à traição de Judas que redundaria em Sua morte. No capítulo 7, verso 39 temos:

E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

  Quando Jesus foi “glorificado”, então o Espírito Santo pôde ser dado aos discípulos. Após a morte e ressurreição do Senhor, ele se encontrou com os discípulos:

E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo

  De fato, a glória de Cristo tornou-se visível quando o grão de trigo morreu e deu muito fruto. Podemos então concluir que a glória é resultado da morte e ressurreição de Cristo que tornou possível que Ele pudesse morar em nós.

 

Mas onde o Deus Triúno mora exatamente? Vamos continuar pesquisando. No capítulo 14, versos 1 a 6, Jesus conforta seus discípulos dizendo que na casa do Pai há muitas moradas. Alguns estudiosos dizem que se trata de mansões celestiais. Jesus morreria e iria construir muitas mansões celestiais para que nós, a fim de que, quando morrêssemos pudéssemos desfrutar delas. Bem, acreditamos que Jesus está falando no sentido figurado. Por quê? Por que Deus não habita em mansões físicas (At 7:48; 17:24). Caso isso fosse possível, o que já seria um completo absurdo, em Apocalipse haveria no mínimo o registro dessas mansões. Isso se Apocalipse fosse um livro literal, o que a maioria dos doutrinadores concordam que não é, mas sim um livro de figuras. Quando andou nesta terra, Jesus era a morada ou o tabernáculo do Pai. O próprio Deus habitava na humanidade de Cristo, o filho unigênito de Deus. Quem via Cristo, via o Pai. Entretanto, o plano de Deus era aumentar essa morada que era Cristo a fim de nos levar para dentro dEle (Is 54:2; Ef 1:10, 22, 23, 3:39; Hb 9:11; Ap 15:5 e 21:3). Como fazer isso? Havia somente uma maneira: a morte, ressurreição e liberação do Espírito Santo. Através desses estágios, o corpo individual de Cristo passaria a ser um corpo coletivo. Paulo entendeu esse plano e se referido a ele nas epístolas aos Romanos (Rm 12) e aos Coríntios (1 Co 12:12). Nesse corpo coletivo, haveria muitas moradas de Deus, isto é, muitos filhos de Deus (Ef 2:22; 1 Co 6:16, 19). Quando Jesus foi à Cruz, Ele preparou um lugar no nosso espírito para que Deus pudesse morar nele. Ele nos limpou através do Seu sangue e nos apresentou ao Pai. Na Sua ressurreição e liberação do Espírito, Ele veio outra vez e nos recebeu para Ele mesmo para que estivéssemos no mesmo lugar que Ele está: no nosso Espírito e em Deus (Cl 3:3; Ef 2:6)! Nesse momento tão solene tratado em João, cap. 14, Jesus foi interrompido por Tomé (sempre Tomé), que lhe pediu para que mostrasse o Pai (Jo 14:5). Após explicar pacientemente para Tomé como Ele e o Pai são um, Jesus retoma o assunto acerca do lugar para onde iria e para onde deveríamos ir (leia João 14:15-21, 23). Jesus então diz que rogará ao Pai para que envie o Consolador, o Espírito da Realidade. Quando esse Espírito da realidade viesse, Ele habitaria conosco e estaria em nós. Estranhamente, Jesus diz em seguida:

Não voz deixarei órfãos, virei a vós!

Quem virá? O Consolador – Espírito Santo ou o próprio Senhor? Na realidade, o Senhor é o Espírito (2 Co 3:17). No verso 23, Jesus concluiu:

“Respondeu-lhe Jesus: Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra; e Meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos morada juntamente com ele.

  Aleluia! O Pai virá para dentro do nosso espírito; o Filho virá para dentro do nosso espírito; o Espírito virá para dentro do nosso espírito! Você está carente da orientação do Pai, dos Seus conselhos, do Seu abraço? Tenha comunhão com o Ele no seu espírito! Você acha que não há mais saída para você? Você acredita que foi longe de mais? Você perdeu o frescor da cruz? Converse um pouco com o Filho… Ele está no seu espírito. Você está perturbado? Não tem paz interior?  Sua vida é uma fraude? Você vive aparente ser cristão, mas não passa disso, só de aparências? Que tal conversar um pouco com o Espírito da Realidade, o outro Consolador que foi enviado para o seu espírito? Ah, quantas oportunidades temos de ter comunhão com eles… o dia inteiro podemos conversar com esse Deus tão maravilhoso, tirar dúvidas, desabafar, falar sobre nossos temores, ou então louvá-Lo por tudo o que Ele tem feito em nossas vidas! E se estivermos no nosso espírito, estaremos em comunhão com o Pai, com o Filho e como o Espírito e manteremos comunhão uns com os outros (1 Jo 1:3, 7; 1 Co 1:9; 2 Co 13:14). Quando estamos no nosso espírito, desfrutamos dessa glória! Essa e a unidade de que fala o Novo Testamento. Jesus é o caminho e quanto mais experimentarmos esse Caminho e a senda que Ele caminhou, mais nos uniremos a Ele. Hoje, quanto mais experimentamos a Cruz, mais experimentaremos a ressurreição e, quanto mais experimentarmos a ressurreição de Cristo, mais experimentaremos o derramar do Espírito e, quanto mais Espírito desfrutarmos, mais desfrutamos dessa gloriosa unidade. Talvez seja essa a causa do fracasso de tantos movimentos de unidade e restauração:

Quem quer experimentar verdadeiramente a cruz? (Mc 8:34)

Na cruz, nossas opiniões são totalmente destruídas, nossos gostos, nosso ego, nossas doutrinas, nossas preciosas convicções… tudo isso é destruído. Tudo o que pertence à velha criação morre na Cruz e, do outro lado, desfrutamos da ressurreição como o Novo Homem, onde não há espaço para nada além de Cristo (Ef 4:22-32).  Compare essa unidade do Novo Testamento com a lista de “unidades” apresentada no início desta página e tire suas próprias conclusões.

QUEM RECEBER NA COMUNHÃO?

Se estamos nessa unidade de que fala o Novo Testamento, qual o critério para receber os irmãos? Como saber se alguém está no espírito? Como saber se alguém está em Deus? Em primeiro lugar, precisamos nós mesmos estarmos em Cristo. Em segundo lugar, precisamos experimentar a capacidade de discernimento do nosso espírito humano. Entretanto, essa capacidade só pode ser exercitada se nos abrirmos aos outros. Somente através do convívio de uns com os outros podemos ter essa percepção espiritual. Por esse motivo, não temos como deixar de receber um filho de Deus. Devemos receber todos aqueles que Deus recebeu. Dito em outros termos, deixar de receber um filho de Deus nos tornará sectários e divisivos e certamente será uma prova cabal de que estamos fora da unidade e da comunhão mencionada nos tópicos anteriores. Além disso, exigir dos filhos de Deus que compactuem das nossas mesmas convicções, linhas doutrinárias ou práticas eclesiásticas é exigir algo que o Novo Testamento não exige. A única exigência para viver a vida da igreja é que alguém tenha nascido de novo, porque só assim essa pessoa pode se relacionar com o Reino dos Céus hoje (releia Romanos, cap. 14 e Efésios capítulo 4 novamente).  Entretanto, no Novo Testamento, existem dois motivos para não recebermos alguém na comunhão da igreja: – se não for filho de Deus, nem quiser saber de Cristo (2 Co 6:14*) – se não quiser deixar de viver pecando, isto é, se não quiser se arrepender após admoestado, orientado e ajudado pela igreja toda (Mt 18:17) Fora esses dois casos, devemos receber a todos que Deus recebeu.  

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  Foi recentemente lançado o livro VIVENCIADO UMA IGREJA ORGÂNICA, de Frank Viola, pela Editora Palavra. O livro não está listado em sites, sendo que a única forma de aquisição à distância é através do telefone da Editora (61 3213-6999, 61 3213-6858, e-mail: varejo@mwdistribuidora.com, site: https://palavravirtual.com/detalhes.php?id=178). Nesse livro, considerando que a igreja é um organismo vivo e não uma organização, Viola, com base em exemplos vividos na caminhada cristã, analisa desde a plantação da igreja, em relação à pessoa do obreiro, passando por uma seção de Perguntas & Respostas, passos práticos para começar a viver a vida da igreja, chegando até às questões do desenvolvimento de uma igreja, os estágios de crescimento, as “doenças” que podem ocorrer, até à conclusão A JORNADA À FRENTE.  Um excelente livro para quem quer viver ou já está vivendo a vida da igreja. Leia trechos de livros em: http://igrejanoslares.com.br/category/noticias/category/livros/ Veja lista de indicação de livros em: http://igrejanoslares.com.br/category/noticias/auxilio/livros/ Indique um livro para ser publicado neste espaço. Mande um e-mail para: igreja@igrejanoslares.com.br

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