O Sacerdócio

Na Nova Aliança, todos os crentes são sacerdotes. Na Antiga Aliança, somente uma tribo poderia servir a Deus, a Tribo de Levi. E, daquela tribo, somente uma família poderia exercer o sacerdócio, a casa de Arão. E, daquela casa, somente uma pessoa podia entrar na presença de Deus, no Santo dos Santos: o sumo sacerdote e isso uma vez ao ano.
Graças a Deus que hoje todos os filhos de Deus são chamados e comissionados para serem sacerdotes e reis. Servir a Deus não é mais uma exclusividade de uma tribo ou família, mas é um privilégio inerente à condição de filho de Deus!
Um dos itens que foi tremendamente arruinado pela religião do homem foi o sacerdócio universal de todos os crentes. Por causa da omissão dos tímidos, da liderança dos extrovertidos e da atuação da carne, do ego e de Satanás, a maioria dos filhos de Deus perdeu sua função de sacerdote. Como um membro do Corpo de Cristo que, sem função, logo atrofia-se, muitos amados santos estão atrofiados espiritualmente: não conseguem orar sozinhos, não consegue ler a Bíblia, não conseguem falar de Deus, nem compartilhar nas reuniões cristãs. Eles perderam a prática… Simplesmente não conseguem!
O que aconteceu? Eles perderam o sacerdócio!
 
Hoje, na maioria dos grupos cristãos, há poucos que servem a Deus e há muitos que jamais serviram de fato ao Senhor. Ou não lhes foi contada essa boa nova, ou lhes foi tomado o direito de servir ao Senhor como sacerdotes. O sacerdócio nada tem a ver com recepcionar os irmãos na porta da “igreja”; com levar um copo de água para o pastor ou preletor; com trocar os slides no comportador; não se refere a arrumação das cadeiras de um salão de reuniões. Isso não é sacerdócio e a sua ausência explica a falta de edificação da igreja e a quase ausência da percepção do Reino de Deus na terra hoje.
 
Somente pode haver edificação, quando o sacerdócio é restaurado
 
Às vezes você se sente inexplicavelmente tão cansado; trabalhou demais e não consegue sequer abrir a Bíblia; não tem vontade de ir às reuniões nos lares; quando chega nelas, não tem vontade de compartilhar e fica só escutando os irmãos falarem… O que é isso: é a perda do sacerdócio! O mais interessante é que todo esse clima de entorpecimento se desfaz quando termina a reunião, quando você liga uma televisão ou quando resolver ir a um restaurante ou cinema. Se você realmente estava cansado, o que ocorreu com o cansaço? Se ele desapareceu, será que existiu e sua origem era espiritual?
 
De fato, o velho homem não compreende as coisas de Deus, nem pode compreendê-las por elas são discernidas espiritualmente. Por isso o cansaço e o desânimo quando temos de enfrentar situações espirituais, mesmo aquelas que comprovadamente nos levarão a felicidade e paz. Que fazer então?
 
1º) necessitamos primeiramente entender o que é o sacerdócio e qual nosso chamamento
 
2º) após ver e entender, você irá valorizar o seu privilégio de ser um sacerdote
 
3º) após valorizar, você vai querer exercitar o seu sacerdócio
 
Quando você começa a exercitar o seu sacerdócio, então o Reino de Deus começa a se tornar algo concreto na sua vida: pessoas se convertem, doentes são curados e corações duros são amolecidos.
 
Não é a toa que o inimigo de Deus investiu tanto na anulação do sacerdócio de todos os crentes!
 
Pense bem… imagine um reino humano, um País qualquer, por exemplo. Você chega no Aeroporto e quando desce você nota que os comissários de bordo e atendentes do Aeroporto não são meros funcionários, mas são sacerdotes: agem e vivem conduzindo pessoas a Deus, falando a Palavra a cada passageiro e distribuindo abraços afetuosos e palavras de ânimo; você então pega um táxi. Para sua surpresa, o taxista também é um sacerdote e, durante o transcurso até o hotel, ele o conduz à presença de Cristo e o leva ao arrependimento por diversas questões não resolvidas do passado. Quando chega no hotel, na recepção, você troca algumas palavras com a recepcionista e, em poucos instantes, ela o está conduzindo ao Senhor. O mesmo ocorre na padaria, no Supermercado, na vizinhança, na sua empresa, na sua família e até no governo! Você então exclama: o que é isso! Alguém então se explica: é que aqui, neste Reino, as pessoas têm várias ocupações, mas todas, na realidade, são sacerdotes do Senhor! Essa é a verdadeira profissão delas: conduzir pessoas a Cristo e reconciliar o homem com Deus!
 
Quando o Reino de Deus se manifestar plenamente, essa será uma realidade. Entretanto, para que haja essa manifestação, é necessário que alguns se disponham a viver essa realidade hoje.
 
Vejamos abaixo um artigo do irmão T. Austin Sparks sobre o Sacerdócio:
por T. Austin Sparks
 
O que é um sacerdote? Ele não é um oficial ou um membro de uma casta religiosa, mas um homem que resiste à morte e ministra vida. O objetivo único e mais abrangente de todos os tempos – o grande propósito de Deus de eternidade a eternidade – pode ser descrito na linguagem do Novo Testamento como vida eterna. Assim que o pecado entrou no mundo surgiu a morte e, então, os homens precisaram de um altar e do derramar de sangue a fim de que o pecado pudesse ser coberto pela justiça e a morte ser vencida pela vida divina. Com o altar surgiu ali a atividade pessoal de um homem chamado de sacerdote, e assim, com o passar do tempo, tal serviço cresceu e cresceu até se transformar em um elaborado ministério sacerdotal.
Como um poder ativo, a morte somente podia ser detida, anulada e removida ao ter devidamente confrontada sua base no pecado. Daí a necessidade do ministério sacerdotal de justiça, a justiça perfeita da vida incorruptível expressa pelo sangue da oferta. Israel devia ser uma nação de sacerdotes, um povo baseado e fundamentado na própria justiça de Deus e, por isso, capaz de encarar a morte e derrotá-la. A Igreja foi chamada para exercer este ministério. O próprio Senhor Jesus previu isto ao dizer: “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos” (Mt 21:43). Mais tarde Pedro explicou que os pecadores redimidos se tornaram participantes da vocação espiritual, sendo a “nação escolhida”, o “sacerdócio real”, devendo assumir a grande vocação de serem, da parte de Deus, ministros da vida na terra.
Assim nós descobrimos que, como membros do Corpo de Cristo, nós temos um relacionamento com Ele, o grande Sumo Sacerdote, que é análogo àquele entre Arão e seus filhos, que participavam de seu trabalho sacerdotal. Na carta aos hebreus, a qual trata deste assunto, nós temos uma espécie de Levítico neotestamentário. Nesta epístola, os crentes são denominados tanto de filhos como de “santos irmãos”, como se Cristo nos considerasse Seus filhos – “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hb 2:13). Por meio de nós, portanto, como membros de Cristo, o grande trabalho sumo sacerdotal no céu deve encontrar expressão aqui na terra. Se nós perguntarmos qual é o significado do contínuo trabalho do Senhor como Sumo Sacerdote, a resposta é: trazer vida sobre a morte, anular a operação e reinado da morte espiritual. O maior conflito da Igreja é com a morte espiritual. Quanto mais espiritual um homem se torna, mais consciente ele está da horrível realidade desta batalha contra o maligno poder da morte.
Nenhum sacerdote ou levita do Antigo Testamento jamais tentou se tornar lírico sobre este assunto ou falar em linguagem poética como se a morte fosse algum tipo de amigo. Ah não, eles sabiam ser a morte a grande inimiga de Deus e de todos os Seus interesses. Quando as Escrituras falam da morte como o último inimigo, isto não somente significa que é a última na lista, mas que é o inimigo derradeiro, a expressão completa de toda inimizade.
O efeito do sacerdócio é ilustrado repetidas vezes na Palavra de Deus. Nós observamos a morte adentrando por causa do pecado e, então, Deus intervindo com Sua resposta de vida por meio do sacrifício de sangue. O sangue fala de uma justiça aceita e, por meio disto, o sacerdote estava habilitado a enfrentar a morte, vencê-la e ministrar vida. Finalmente ouvimos falar do Senhor Jesus, que encontrou a morte na concentração de toda sua inimizade, derrotou-a por meio do perfeito sacrifício de sangue da Sua própria vida e, então, deu início à Sua obra sacerdotal de ministrar vida aos crentes.
O sacerdote é um homem que tem autoridade, embora esta seja espiritual e não eclesiástica. Ele tem poder com Deus. O apóstolo João fala do caso de alguém que cometeu um pecado que não leva à morte, e ele diz: “pedirá, e Deus lhe dará vida…” (1Jo 5:16). Esta referência revela que um crente que permanece na base da justiça pela fé por meio do sangue de Jesus pode exercer o poder do sacerdócio em benefício de um irmão que errou e, assim, ministrar vida a ele. Certamente não há ministério mais necessário na terra hoje do que este ministério tão vitalizante. Se nós ministrarmos verdades que não emanam vida, estamos desperdiçando nosso tempo. Deus não nos comissionou para sermos meros transmissores de informação sobre coisas divinas ou professores de moralidade. Ele nos libertou de nossos pecados para que pudéssemos ministrar vida a outros em virtude da autoridade sacerdotal. Vivemos em um mundo onde a morte reina. Diariamente multidões são arrastadas por uma maré de morte espiritual. Por quê? Por causa da injustiça. Precisa-se da atividade daqueles que aceitarão suas responsabilidades sacerdotais, tanto pedindo vida para outros quanto oferecendo vida a eles por meio do evangelho. Nós devemos ministrar Cristo. Não meras doutrinas sobre Ele; não meras palavras ou manda-mentos, mas o impacto vital de Cristo em termos de vida. Assim, todo crente é chamado para se posicionar entre os mortos e os vivos dando a resposta de Cristo para as atividades de Satanás.
Não é de se admirar que o reino de Satanás esteve em guerra com Israel, pois a presença desta nação em um relacionamento correto com Deus proclamava efetivamente que o pecado e a morte não reinam universalmente no mundo de Deus, mas foram enfrentados e superados pelo poder de uma vida justa e incorruptível. No fim, Israel perdeu este testemunho e, por conseqüência, o ministério sacerdotal. A Igreja surgiu, então, para dar continuidade a este ministério, sendo não mais um povo localizado em uma terra, mas uma comunidade espiritual espalhada por toda a terra, um povo cuja vocação suprema é manter a vitória de Deus sobre a morte, conforme o testemunho de Jesus. E qual é o testemunho de Jesus? É o testemunho do triunfo da vida sobre a morte. Ele mesmo assim o descreveu a João: “[Eu sou] aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1:18).
Este testemunho foi depositado na Igreja e imediatamente os discípulos o apresentaram poderosamente entre as nações. Infelizmente, sob vários aspectos, a Igreja agora está falhando em sua vocação sacerdotal. Esse elemento vital da vida vitoriosa parece estar faltando. As cartas no início do livro de Apocalipse mostram que Cristo não estava satisfeito com as muitas boas atividades, trabalhos zelosos, ensinamentos corretos e persistência na ortodoxia das igrejas. Ele tentou chamá-las de volta à sua verdadeira tarefa de demonstrar o poder de Sua vida vitoriosa em face de qualquer desafio. Que ministério nós queremos? Correr de um lado para o outro assistindo conferências, dando palestras, apoiando o trabalho cristão? Tudo isso pode fazer parte, mas é de pequeno valor se não se encaixar no contexto da batalha sacerdotal contra a morte: trazer o impacto poderoso da vida vitoriosa de Cristo para enfrentar o desafio da morte.
O livro de Apocalipse deixa claro que tal testemunho provoca a animosidade de Satanás, mas tal inimizade deveria ser um elogio para nós, pois significa que nossa vida está realmente fazendo diferença para Deus. O dia em que você ou eu não mais estivermos envolvidos na batalha espiritual será um dia ruim, pois significará que perdemos nossa verdadeira vocação e não estamos mais provendo um desafio real para a morte espiritual, mas estamos fracassando no que tange ao ministério sacerdotal. Por outro lado, o antagonismo doloroso das forças do mal pode ser uma prova clara de que nós estamos verdadeiramente servindo como sacerdotes.
Teste todas as coisas pela vida, a vida que é vitoriosa sobre o pecado, a vida que liberta das cadeias, especialmente da cadeia do medo, a vida que se expressa por meio do amor por pecadores necessitados. João não apenas nos encoraja a orar por vida, mas nos assegura que Deus a dará em resposta a tal oração: “e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte”. Nós não devemos fracassar em nosso ministério sacerdotal!
 
(Sacerdócio e Vida – Traduzido por Penélope C. M. Watanabe;
revisado por Jonathan Luís Hack)
 
(Continua)

Você gostaria de completar o texto desta página? Envie seus comentários, através do formulário abaixo e, se ele for selecionado, será publicado aqui! Você também pode mandar um e-mail para: igreja@igrejanoslares.com.br

Leave a comment

Encontros

 Encontros, conferências e Reuniões*

Mande informações e convites dos encontros na sua cidade que publicaremos no site. Nosso e-mail é igreja@igrejanoslares.com.br

Links

 Novos sites e Blogs

 
Pão e Vinho: “é um trabalho cristão, independente e  investigativo, cujo objetivo é vasculhar nossas raízes e entender melhor o desenho original da Igreja arquitetada por nosso Senhor Jesus Cristo. Aprender nosso passado nos ajuda a entender nosso estado presente e, assim, discernir nosso futuro como Igreja”. O editor mora em Wasginton/DC.
Blog Igreja Orgânica: blog sobre temas diversos a respeito da vida da igreja. O editor é de Fortaleza/CE
Igreja em Santo Antônio do Monte/MG: blog sobre questões atuais do viver cristãos. É mantido por irmãos de Minas Gerais, da cidade de Santa Antônio do Monte.
Irmãos em Cristo em Itajaí/SC: somos um grupo de pessoas que amando a Deus e uns aos outros decidiu se reunir semanalmente na cidade de Itajaí-SC. Nossos encontros acontecem nas casas ou em outros ambientes informais. Primamos pela alegria e informalidade, aspectos próprios do viver comunitário e daquela expressão viva da igreja do primeiro século. Contato: igrejaorganica@gmail.com Telefone: (47) 9609-0366
Um Novo Odre: Realizamos reuniões nos lares como auxílio à prática da vida cristã, o mesmo costume observado nos cristãos primitivos antes dos templos instituídos pelo Imperador Constantino. Absorvidos pelo cristianismo, os templos de Constantino perpetuaram a ideia de templo como lugar obrigatório para a realização de reuniões cristãs. Porém, nossa proposta busca restaurar a dignidade da família – “célula-mãe” da sociedade – priorizando o trabalho de formação espiritual de “homens novos para um mundo novo” encontrado em Deus. E-mail de contato: simple.church.brazil@gmail.com

Rádio Adoradores Livres: rádio livre para irmãos livres

Livros

  Vivenciando uma Igreja Orgânica

  Foi recentemente lançado o livro VIVENCIADO UMA IGREJA ORGÂNICA, de Frank Viola, pela Editora Palavra. O livro não está listado em sites, sendo que a única forma de aquisição à distância é através do telefone da Editora (61 3213-6999, 61 3213-6858, e-mail: varejo@mwdistribuidora.com, site: https://palavravirtual.com/detalhes.php?id=178). Nesse livro, considerando que a igreja é um organismo vivo e não uma organização, Viola, com base em exemplos vividos na caminhada cristã, analisa desde a plantação da igreja, em relação à pessoa do obreiro, passando por uma seção de Perguntas & Respostas, passos práticos para começar a viver a vida da igreja, chegando até às questões do desenvolvimento de uma igreja, os estágios de crescimento, as “doenças” que podem ocorrer, até à conclusão A JORNADA À FRENTE.  Um excelente livro para quem quer viver ou já está vivendo a vida da igreja. Leia trechos de livros em: http://igrejanoslares.com.br/category/noticias/category/livros/ Veja lista de indicação de livros em: http://igrejanoslares.com.br/category/noticias/auxilio/livros/ Indique um livro para ser publicado neste espaço. Mande um e-mail para: igreja@igrejanoslares.com.br

Perguntas & Respostas

 Apesar de as igrejas nos lares serem livres institucionalmente falando, gostaria de saber se existe alguma associação, convenção, enfim, algo que reúna as idéias das igrejas nos lares visando troca de experiências? Agradeço, MÁRCIO (Clique aqui)