As Reuniões

OS TIPOS DE REUNIÕES

O povo de Deus é um povo que aprecia estar juntos, mas também é um povo que ama a Deus com seu entendimento (Mt 22:37), por isso, quando se trata de nos ajuntarmos, temos necessidade de entender como ocorrem os ajuntamentos e qual sua motivação e objetivo. Existem basicamente dois tipos de reuniões no Novo Testamento: reuniões para comunhão eventual (Jo 3:8; Rm 8:14; Gl 5:25) e reuniões para edificação (1 Co 14:26). As reuniões para comunhão eventual ocorriam em qualquer lugar a qualquer hora segundo a direção do Espírito; as reuniões para edificação geralmente estavam voltadas para uma necessidade específica dos Corpo: oração (At 1:14), compartilhar da Palavra e experiências (1 Co 14:31), ajuda ao próximo (1 Co 16:1; Rm 15:26), receber irmãos que vêm de fora (At 14:27), para partir o pão (At 20:7) etc.

O aspecto da comunhão está muito relacionado à sensibilidade individual ao Espírito, como o vento que você não vê, mas sente. O Espírito pode direcionar você para ligar para um irmão, para visitar um irmão, para visitar e orar por um doente, para encontrar-se com alguém, para combinar com alguém que visite sua casa, para marcar refeições com vistas ao Evangelho, para distribuir bens aos mais necessitados, para fazer uma surpresa ao seu cônjuge etc. Essa sensibilidade espiritual é fundamental na caminhada na liberdade. Se o Senhor está falando com você, não espere que alguém venha dar-lhe ordens ou sugestões, siga o Espírito.

Entretanto, há outro aspecto além da comunhão: a edificação. Entretanto, vejamos um pouco mais a respeito da comunhão.

COMUNHÃO E PASSIVIDADE DA VONTADE

Há muitos irmãos que tinham um viver muito ativo no sistema religioso e, quando passam a viver na liberdade do Espírito, passam a ter “medo” de iniciar algo, por achar que estão “tocando na arca” ou “acendendo fogo estranho”. Por causa desse aparente “temor”, acabam relaxando sua busca pelo Senhor e “aposentando” seus dons. Eles deixam de usar suas vontades, entram na passividade e passam a ter uma vida espiritual inerte e infrutífera. Com o tempo, esses irmãos abandonam totalmente a comunhão e se voltam para o mundo e seus próprios interesses (Fp 3:19).

Há outros que sempre foram acomodados por natureza. São pessoas naturalmente passivas e que só saíram do sistema religioso, por causa de erros grosseiros que tornaram o ambiente insuportável. Essas pessoas vêem na caminhada em liberdade um meio de ficar livres de obrigatoriedade de ir para os cultos ou ofertar. Tais pessoas acabam se tornando um fardo para os demais irmãos. Eles nunca saem de casa para visitar e nunca se disponibilizam a ligar para os irmãos convidando-os para visitá-los, mas quando recebem visitas ficam contentes e louvam a Deus. Para eles, digitar os números de um telefone é algo muito pesado. Mandar um torpedo ou e-mail, para eles, é algo extremamente complexo. Entrar no carro e girar as chaves ou pegar um ônibus, trem ou metrô para visitar é algo que beira o impossível. Irmãos assim tem uma vontade muito fraca para com as coisas de Deus e muito forte para com as coisas do ego e do mundo e estão mergulhados na passividade.

Precisamos também levar em consideração que estamos vivendo tempos de uma sociedade pós-moderna ou pós-industrial onde os relacionamentos são superficiais e as pessoas são individualistas ao extremo; onde quase não há vínculos verdadeiros além da família (às vezes, nem na família); onde o conforto pessoal é mais importante do que a necessidade do próximo; onde não há compromisso nem comprometimento se não houve algo a se ganhar; onde sabemos muito, e praticamos muito pouco; onde temos acesso a muito informação, mas quase não conhecemos de fato. Precisamos entender que somos produto dessa geração, que esse é o nosso cosmos e precisamos vencê-lo:

“Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2:15)

Jessie Penn-Lewis, em Guerra contra os Santos, descreve três tipos de passividade:

1) PASSIVIDADE DA VONTADE

Existe passividade de vontade, a vontade que é, por assim dizer, o timão do navio. E a origem desse problema é um conceito errôneo sobre o que significa a plena entrega a Deus. Pensando que uma “vontade entregue” a Deus significa que a vontade deve ser completamente posta de lado, o crente pára de escolher, de determinar e de agir por sua própria vontade…com o passar do tempo, não se pode mais esperar que essa pessoa faça escolhas nos assuntos do dia-a-dia; ela não toma mais decisões ou tem iniciativa em assuntos do dia-a-dia. Outros têm de escolher, agir, conduzir, decidir, enquanto ela “bóia” como rolha de cortiça nas águas. Mais tarde, os poderes das trevas começam a se aproveitar desse crente “entregue” e a fazer todo tipo de mal a sua volta, que o vai amarrando por meio de sua passividade de vontade.

A verdade a ser enfatizada é que Deus nunca exercita o desejo no lugar do homem, anulando-lhe a vontade, e o homem, não importa o que faça, é, ele mesmo, responsável por suas ações (p. 139).

2) PASSIVIDADE DA MENTE

Quanto maior o poder do cérebro, maior uso Deus pode fazer dele, desde que seja submisso à verdade. A causa da passividade da mente às vezes está na idéia de que a utilização do cérebro é um impedimento para o desenvolvimento da vida divina no crente. Mas a verdade é que a não utilização do cérebro é que impede isso, e a utilização maligna do cérebro também impede isso, mas a utilização normal e pura do cérebro é essencial e útil para a cooperação com Deus (p. 140/141).

3) PASSIVIDADE DO JULGAMENTO

Passividade de julgamento e de razão expressa a situação em que o homem fecha a mente a todos os argumentos e conceitos contrários àqueles que o levaram à conclusões estabelecidas…O crente que está nesse estágio de passividade acaba caindo num estado de positivismo maligno e de infalibilidade, do que nada é capaz de liberar o “julgamento” a não ser o choque violento de descobrir que foi enganado e possuído por espíritos malignos (p. 142).

O PERIGO DAS FALSAS EXPECTATIVAS

Irmãos que sofrem do mal da passividade são como eternos doentes que nunca são curados da sua paralisia. Estão sempre pedindo ajuda e oração, mas nunca tem a mínima disposição de reagir à direção do Espírito. Esses irmãos deveriam considerar diante de Deus se devem ou não sair de um sistema religioso que, por mais limitações que possua, ainda pode ajudá-lo a se voltar para Deus (claro que, se o grupo anterior tornou-se ou era uma seita, então melhor seria procurar um grupo mais próximo do modelo da Palavra de Deus). Quem se dispõe a ajudar esses irmãos poderá sofrer com expectativas frustradas ou pode buscar graça diante de Deus para usar de misericórdia com esse próximo e dar sua vida por ele sem esperar nada em troca. Muitas vezes também estamos fracos espiritualmente e necessitamos de ajuda dos irmãos. É melhor serem dois que um, pois se um cair terá o outro que o ajudará (Ec 4:10, 12). Um dia podemos ser o paralítico e outro dia podemos ser aquele que ajuda o paralítico a chegar até Jesus (Mc 2:1-5). Mas tanto o que ajuda como o que é ajudado devem ir diante de Deus e saber, se de fato, o Senhor é quem providenciou essa situação ou fomos nós mesmos que procuramos a situação. Se foi o Senhor o responsável pela situação, certamente Ele dará vida e graça para que sejamos canais de bênção ao próximo.

Entretanto, é possível que já estejamos com problemas no nosso relacionamento com o Senhor, mas estejamos atribuindo esse problema pessoal ao grupo no qual nos reunimos. Sim, existem grupos que são profundamente “tóxicos”, grupos sectários onde há idolatria, pecados ocultos e tirania que colaboram para nossa debilidade espiritual e dificilmente Deus nos pediria para permanecer em um lugar assim (leia mais no post A ENTREVISTA); mas porque não oramos e buscamos o Senhor na nossa casa? Quem pode mandar naquilo que ocorre no recesso do nosso lar? Devemos admitir quase não oramos, quase não lemos a Palavra, quase não temos comunhão com os irmãos, mas acreditamos que o culpado por isso tudo é o grupo no qual reunimos. Então, você vai à Internet ou adquire um livro falando a respeito da restauração da igreja, da vida em liberdade, da igreja orgânica, no lar ou simples, e acredita que todos seus problemas pessoais serão solucionados. Você então fala dessa “visão” a algumas pessoas, discute com a liderança do Seu grupo e cria várias expectativas de que tudo agora será diferente. Você então começa uma reunião na sua casa e convida seus amigos e irmãos que também saíram do grupo onde vocês se reuniam. As primeiras reuniões são muito boas, mas com o tempo você percebe que tudo está se tornando um fardo; que vários irmãos vão às reuniões apenas para serem supridos e não para suprir; que a dependência do grupo em relação a um ou dois irmãos (que antes eram pastores ou líderes) continua; que não há busca pessoal do Senhor e, por incrível que pareça, você próprio não resolveu seus antigos problemas com o Seu Senhor. Antes de iniciar nossa jornada nos lares, precisamos ir diante do Senhor e resolver questões antigas, nos arrepender de hábitos antigos, voltar a prática das primeiras obras, pedir perdão irmãos, ao nosso cônjuge e às pessoas que ofendemos; verificar no Senhor se não estamos saindo do grupo por ambições não correspondidas ou por desentendimentos na carne com os irmãos. Se não estamos dispostos a tomar a cruz no início da nossa caminhada na liberdade, dificilmente tomaremos depois. De fato queremos o Reino de Deus? Queremos de fato seguir o Senhor e tomar a cruz? Estamos sendo fiéis a uma visão celestial? (At 29:16)

“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?

Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.

“Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil?

Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz.

Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo. “O sal é bom, mas se ele perder o sabor, como restaurá-lo? Não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora. “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça” (Lc 14:28-35)

Criar expectativas falsas e propagar expectativas para o próximo é algo de muita responsabilidade diante de Deus (Lc 9:62). Por isso nunca devemos encorajar os irmãos a saírem do grupo em que se encontram, mas que vão até o Senhor e conversem com Ele sobre essa situação. Também devemos ter muito cuidado para não dar expectativas aos irmãos que saíram há pouco tempo, levando-os a crer que serão sempre visitados e supridos se de fato não estivermos dispostos a cumprir com o prometido – não devemos mentir ou fazer promessas que não podemos cumprir.

“Deixe-me ser claro. Há um preço a ser pago para que a vontade do Senhor se volte para sua igreja. Você terá de lidar com algumas situações, como ser mal-entendido por aqueles que abraçaram o cristianismo espectador. Você carregará marcas da cruz e morrerá mil mortes no processo de se tornar, com outros crentes, uma comunidade íntima e acolhedora. Terá de suportar a bagunça que é parte inerente ao cristianismo relacional – abandonando para sempre a polidez artificial sustentada pela igreja organizada. Não compartilhará mais do conforto de ser um espectador passivo. Em vez disso, terá de aprender lições de autoesvaziamento e como se tornar um membro responsável e prestativo de um corpo que funciona.

Além do mais, terá de enfrentar a terrível oposição daquilo que certo escritor chamou de ‘as ultimas sete palavras da igreja’ (nós nunca fizemos isto deste modo antes). Você terá de experimentar a antipatia da maioria religiosa por recusar submeter-se à tirania do status quo. E você incitará as mais severas investidas do Adversário que tentará sufocar o que representa um testemunho vivo de Jesus na sua vida.

Sem contar que viver o estilo de vida da igreja orgânica é incrivelmente difícil. A experiência é repleta de problemas. Leia novamente as cartas do Novo Testamento com um olhar atento para descobrir as mais variadas adversidades que os cristãos primitivos enfrentaram vivendo em comunidades íntimas. Quando vivemos o mesmo tipo de vida comunitária hoje em dia, os mesmos problemas emergem. Nossa carne é exposta. Nossa espiritualidade é testada. E rapidamente descobrimos o quão profunda é a nossa queda.

Como uma pessoa disse certa vez: “Todo mundo é normal até se conhecido”. Isto é completamente verdadeiro para aqueles que decidiram viver segundo o estilo de vida da igreja orgânica. Os problemas não têm fim. É muito mais fácil tornar-se uma ‘batata no banco’ durante duas horas aos domingos na igreja institucional. Lá qualquer um pode ser um perfeito cristão. Porém, a vida na igreja orgânica é um casamento de glória e sangue. Mas assim é a genialidade de Deus. É o seu jeito prescrito de nos transformar em sua imagem. Afinal, ‘o ferro afia o ferro’ (Pv 27:17).

Todavia, assim como o sofrimento que segue aqueles que tomam a estrada menos percorrida, os gloriosos benefícios de viver a vida do corpo em muito supera o preço pago. O Senhor edifica sobre vidas quebradas; a sua casa é constituída de despojos de combates (1 Cr 26:27). Assim, ‘saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou’ (Hb 13:13). Pois é lá que talvez encontraremos os batimentos do coração do Salvador”

(Frank Viola. Reimaginando a Igreja: para quem busca mais do que simplesmente um grupo religioso. Brasília, DF: Palavra, 2009, p. 273-275)

Leia mais sobre esse assunto na apostila VOCÊ QUER REALMENTE COMEÇAR UMA IGREJA EM CASA?

UMA MENTE RENOVADA E VONTADE DECIDIDA

Para vivermos na liberdade do Evangelho e na comunhão com os irmãos necessitamos de uma mente renovada, discernimento e sensibilidade à direção do Espírito. Também há necessidade de desenvolvermos uma vontade firme em busca do Reino (2 Tm 2; Rm 12:11; Lc 9:62; 2 Pe 1:10; Hb 5:14, 10:23, 34-39, 12:1 ; 1 Co 16:13; Mt 6:33). Quem quiser viver no caminho da liberdade também precisa buscar um caráter de homem e mulher de Deus (clica aqui para mais detalhes). Precisa ter iniciativa, não pode ter medo de errar, mas deve estar pronto a se arrepender, não deve ser individualista, mas deve apresentar tudo à comunhão para decisão conjunta, nunca deve importar nada aos irmãos, mas deve ter um padrão para si próprio, precisa ser obediente a Deus, precisa de disciplina em separar um tempo diário para a Palavra e oração, deve, ao menos, separar um dia na semana para visitas de comunhão e um dia para reuniões de edificação. Além disso, precisa cuidar bem dos de sua própria casa, amando sua esposa ou marido e conduzindo seus filhos ao Senhor. Se você não está disposto a ser trabalhado por Deus desta forma, é melhor voltar para o grupo onde estava e admitir que precisa de ajuda e libertação, em primeiro lugar. Entretanto, se tivermos uma forte determinação e crermos na fidelidade de Deus, então ele poderá produzir em nós um caráter aprovado.

Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis” (Mt 19:26)

DIFERENÇA ENTRE COMUNHÃO E EDIFICAÇÃO

A comunhão é como uma porta aberta que você leva no coração por onde podem entrar e sair todos os filhos de Deus, não importa onde e como estejam. Quando você vai até o irmãos ou quando os irmãos vem até você, esta porta está aberta. Nós nunca deveríamos fechar a porta da comunhão, especialmente quando se tratar de discordâncias doutrinárias. A comunhão tem esse caráter alargado e eventual. Já a edificação é algo mais próximo, algo com mais compromisso e constância.

A comunhão espontânea deveria levar à edificação e a edificação deveria intensificar a comunhão. Mas, ambas, tanto a comunhão como a edificação dependem totalmente da intimidade que o cristão esteja desenvolvendo com Deus. Quem está desfrutando do Senhor vai querer ter comunhão com os irmãos. Quem estiver sendo edificados pelos irmãos, vai querer de comunhão com outros irmãos em outros lugares.

Diferentemente da comunhão, a edificação é algo que implica um estar juntos com mais frequencia, com mais envolvimento, mais intimidade, mais amor e compromisso, um compromisso de carregarmos os fardos uns dos outros (Gl 6:2; 1 Ts 5:11, Jd 1:20; Rm 14:19; 1 Co 14:3, 12; Ef 4:12, 16, 29; Rm 15:2, 1 Co 14:26; 1 Pe 2:5). A comunhão também implica o aspecto secreto com o Senhor de forma permanente e o aspecto de estar aberto para eventualmente, a qualquer momento e em qualquer lugar, contatar as pessoas, receber e servi-lhes o Cristo que já estamos desfrutando.

Enquanto a comunhão depende mais de amor e da obediência ao Senhor; a edificação depende de amar e se preocupar com o próximo; enquanto a comunhão ocorre primeiramente através de uma disposição interior do espírito do homem, a edificação vem através de disposição exterior de estar com os irmãos; enquanto a comunhão é esporádica, a edificação é contínua; enquanto a comunhão pode ocorrer até à distância (por telefone e Internet, p. ex.), a edificação exige uma proximidade, um olho-no-olho; enquanto a comunhão é algo que vem do meu estar em secreto com Deus (Mt 6:6), e edificação é algo que vêm do exercício dos dons em relação ao próximo (1 Co 12:30) e ao funcionamento orgânico do Corpo (1 Co 12:7-12; Rm 12:5); eu posso ter comunhão com um irmão sem ser necessariamente edificado com ele, mas jamais poderei ser edificado sem ter comunhão; a comunhão depende da vida de Deus em mim, e edificação depende da vida de Deus se movendo no Corpo; a comunhão é o meu sacerdócio diante de Deus, a edificação é a expressão do reinar de Cristo em mim diante dos homens; comunhão tem a ver com santidade e intimidade com o Pai, edificação tem a ver com exercício dos dons para o Corpo; eu preciso antes ter comunhão com Deus, para sempre estar aberto para ser edificado com o meu próximo; eu tenho comunhão com todo o Corpo de Cristo, mas sou edificado com apenas dois ou três; a comunhão me equilibra no Corpo, a edificação me equilibra com o meu próximo; na comunhão eu experimento a largura do amor, na edificação eu experimento a profundidade do amor de Deus; a comunhão evita que eu me torne sectário, a edificação evita que eu me torne individualista; na comunhão, eu vejo (minha visão do Reino se amplia), na edificação eu vivo (o resultado da cruz em mim se amplia); a comunhão na Bíblia é retratada como o fluir de um rio, a edificação é retratada por pedras vivas unidas pelo Espírito.

FREQUÊNCIA DAS REUNIÕES DE EDIFICAÇÃO

Mas qual a frequência das reuniões visando à edificação? Depende muito de onde você mora e da disponibilidade das pessoas que querem viver a vida da igreja com você. Se os irmãos não tem disposição de estarem juntos para serem edificados, não vai adiantar marcar reuniões, porque ninguém irá. Que fazer nesses casos? Reúna-se com sua família somente. Pregue e o Evangelho para um colega de trabalho ou vizinho e se reúna com ele. O número não é importante para a edificação, mas sim a disposição em viver a realidade do Evangelho, amando o próximo. Não deveríamos nunca desprezar o dia dos humildes começos (Zc 4:10; Lc 12:32).

No início de Atos os irmãos viviam juntos, fazendo inclusive suas refeições juntos (At 2:46); já na igreja em Roma, havia vários grupos se reunindo em várias casas (Rm 16). A quantidade de reuniões e o tamanho da cidade também possuem relação. Com exceção de poucas cidades (Roma, Antioquia, Éfeso, Corinto, Colossos etc.), as cidades eram o que hoje podemos classificar de vilarejos com menos de 500 pessoas. Atualmente, quase todas as pequenas cidades são bem maiores do que as cidades apresentadas no Novo Testamento. A maior cidade daquela época, considerada o “centro do mundo”, era Roma, com aproximadamente 1 milhão de habitantes.

Em uma cidade pequena nos dias atuais (que certamente será bem maior que uma daqueles tempos), onde as pessoas costumam se ver mais constantemente, talvez não seja necessário marcar reuniões, porque quando um irmão estiver visitando outro irmão já está acontecendo a reunião, cabendo a cada um estar sensível ao Espírito para saber o que Ele quer com aquela reunião. Às vezes o Senhor vai direcionar para oração, às vezes alguém vai ministrar um estudo, às vezes é só conversar e desenvolver uma intimidade saudável.

Agora se a cidade é grande ou as pessoas moram longe umas das outras e se há irmãos que ainda necessitam de cuidados especiais ou sejam novos convertidos, então certamente será necessário marcar dias para estar juntos, uma vez por semana, duas vezes por semana… a frequência só os irmãos em concordância podem decidir, mas tudo sem a obrigatoriedade, porque se houver obrigação estará sendo criada a religião e o final disso todos nós já conhecemos.

Precisamos nos encontrar espontaneamente, mas também, às vezes, precisamos nos reunir com um objetivo definido. E o foco, depende muito da necessidade do Corpo. Por exemplo, em uma cidade onde só há irmãos maduros não há muita necessidade de se ficar estudando a Bíblia (uma vez que todos já devem conhecer os principais assuntos), mas talvez haja necessidade de oração e pregação do Evangelho; já se na cidade há irmãos que se converterem recentemente, talvez seja necessário haver reuniões para Estudar a Palavra e para tratar dos fundamentos da vida cristã; em uma cidade onde os irmãos não sabem os seus dons, talvez seja necessário haver reuniões voltadas para os dons; talvez as reuniões com os irmãos mais velhos sejam necessárias apenas ocasionalmente, uma vez por por mês ou a cada semestre; já as reuniões com os novos devam ser mais frequentes, uma vez por semana ou mais, para que o “recém-nascido” em Cristo comece a ser alimentado com o genuíno leite da Palavra e aprecie o estar com os irmãos e não se distrai com o mundo nos primeiros momentos da sua fé tão tenra. Tanto a frequência de reuniões, como o tipo e o foco das reuniões dependem totalmente da necessidade dos membros do Corpo em cada localidade, por isso é necessário discernir o Corpo (1 Co 2:14, 11:29), orar e ter comunhão sobre esses assuntos.

É bom frisar que só ter comunhões ocasionais sem edificação não é bíblico (é uma intimidade sem compromisso) e vai nos levar à frieza espiritual; mas só participar de reuniões marcadas sem se envolver com a vida dos irmãos, sem se visitar, sem participar das lutas uns dos outros, também não é bíblico, e vai nos levar à superficialidade espiritual; será uma mera religião diferente das demais só pelo local (uma casa e não um templo) ou número de pessoas. Há necessidade de comunhão, mas também de edificação.

São apenas questões para considerarmos diante do Senhor e não são questões “fechadas”. Trata-se de um assunto muito complexo que só o Senhor pode nos esclarecer na realidade de cada localidade.

Para detalhes práticos das reuniões da igreja, veja: http://www.igrejaorganica.net/2009/01/como-ter-reunioes-participativas-em.html

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