FAQ – Perguntas Mais Frequentes

1) A igreja do Novo Testamento possuía local de reuniões?

A igreja, como ajuntamento dos filhos de Deus, costuma-se reunir em qualquer lugar, uma vez que o importante não é o lugar, mas o estar em Cristo e uma prova disso é que os apóstolos ainda frequentavam o pátio do templo após o Pentecostes. Ocorre, entretanto, que as referências à igreja se reunindo em casas são muito mais numerosas e harmoniosas com a totalidade do Novo Testamento do que as poucas referências ao Templo de Salomão.

Os apóstolos possivelmente frequentavam um lugar público e espaçoso por dois motivos:

1) por ser um lugar frequentado por pessoas que buscavam a Deus

2) por ser um lugar amplo, podendo ser alcançado um maior número de almas ao mesmo tempo.

Deve-se atentar para três fatores, entretanto, antes de generalizar essa experiência dos irmãos em Atos:

– eles frequentavam o pótico ou o pátio; nunca o interior do Templo, reservado apenas para os sacerdotes; – tratava-se do Templo de Salomão, projetado por Deus conforme registro do Pentateuco, e não qualquer prédio; e – essa experiência durou apenas seis anos no máximo(*), podendo ser considerado um marco para o seu fim a perseguição registrada em Atos 7. Depois desse capítulo, não há mais registro em todo o Novo Testamento de que a igreja se reunisse no Templo. Há dois registros e apenas dois no intervalo de 67 anos de história da igreja registrada no Novo Testamento, entretanto, de que a igreja se reunia em lugares amplos (não são templos, mas lugares espaçosos): Um outro dado histórico constatado são os registros de que somente após o reinado de Constantino, após ter cessado a perseguição dos cristãos, é que se passou a construir templos, até mesmo por influência de outros povos que tinham também seus templos.

Mais dados a esse respeito podem ser pesquisados nos bons livros de história da igreja e no livro do irmão Frank Viola: Cristianismo Pagão, disponível nas livrarias cristãs ou no site da editora Abba: http://www.abbapress.com.br/produtos.asp?produto=951. Acerca da indiferença em relação ao lugar, leia o livro REVOLUÇÃO, também da editora Abba (http://www.abbapress.com.br/produtos.asp?produto=151).

Hoje, cremos que o lugar pode, sim, ter influência sobre a igreja, desde que acarretem o cerceamento as funções do Corpo de Cristo e o sacerdócio universal de todos os santos, o que pode dar margem ao surgimento do sistema de Clérigos e Leigos.

Entretanto, em relação aos irmãos que se reúnem nas casas, o mesmo risco se apresenta. É bem possível que se crie uma nova religião chamada IGREJA NOS LARES ou IGREJA ORGÂNICA, contemplando o Sistema de Clérigos e Leigos de forma dissimulada. Adotando o templo ou as casas, cada irmão ou irmã deve estar ciente acerca do material que está usando para edificar a igreja (madeira, feno, palha, ouro, prata ou pedras preciosas), pois o fogo revelará todas as coisas.

(*) Considerando a datação da Bíblia em Ordem Cronológica (Nova Versão Internacional. Editora Vida), o Pentecostes teria ocorrido dia 5 de junho de 29 e a primeira perseguição aos apóstolos, neste caso, Pedro e João, ocorrera nos dias seguintes. A segunda perseguição ocorreu no ano 31, dois anos após o Pentecostes (At 5). A terceira perseguição, agora em escala muito maior, ocorreu quando do apedrejamento de Estevão, no ano 35 (At. 6-8). Atos 8:1 diz que”…Naquela ocasião desencadeou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém. Todos, esceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e de Samaria“. A igreja em Jerusalém deve ser estudada como um caso a parte na história da igreja porque era formada exclusivamente por judeus convertidos. Quem não fosse circuncidado e não guardasse a lei, para reunir com os irmãos lá, naquela época, teria sérios problemas, como os registrados em Galátas 2:3, At 15 e 21. Para os judeus, ao contrário dos gestios nascidos de novo, Cristo era o cumprimento das profecias e, por isso, era previsível que ainda guardassem a lei, já que o próprio Senhor não a revogara (Mt 5:17). Os apóstolos, em especial Paulo e o escritor de Hebreus, tentaram explicar aos irmãos que, embora a lei tivesse sido dada por Deus, ela era apenas um tipo de uma realidade que viria (Cl 2:16-17; Hb 10:1). Quando Cristo, como a realidade veio, o tipo, a figura, tornou-se sem sentido. Mas essa questão foi difícil de administrar com relação os irmãos judeus, mesmo para um homem experiente como Paulo (veja At 16:1 a 3; 18:18 e 21:18-26) que procurava fazer de tudo para com todos para, de alguma forma, ganhar alguns (1 Co 9:22 e Rm 14).

2) Como os irmãos que se reúnem nos lares fazem para conhecer outros irmãos em outras cidades, Estados e Países?

As igrejas que se reúnem somente nas casas não possuem formalmente nenhum centro ou convenção para troca de experiências. O que existe são indicações de irmãos através principalmente de e-mail ou telefone. Há algumas iniciativa de reunir os grupos promovidas pelos irmãos do site www.gruponews.com.br e da obra cristã À MATURIDADE (http://www.amaturidade.com.br/portal/?page_id=75).

Também há obreiros itinerantes, isto é, irmãos mais maduros que têm viajado pelo País para ter comunhão com as igrejas, a fim de ajudá-las com as experiências espalhadas pelo Corpo de Cristo, criando vínculos entre irmãos de cidades ou Estados que, de outra maneira, dificilmente se conheceriam. A diferença entre os obreiros itinerantes e os líderes de igrejas institucionais é que os primeiros não têm a menor intenção de conduzir os irmãos de volta para um grupo organizado ou criar uma zona de influência de seu ministérios, isto é, anexar os irmãos a um ministério “maior” e “mais abençoado”. Contudo, o melhor teste para se identificar um obreiro itinerante genuíno é ver o seu viver e compará-lo ao de Cristo. Além disso, enquanto os obreiros de grupos institucionais procuram levar os irmãos para dentro de um grupo maior, os obreiros itinerantes procuram levar os irmãos para dentro de Cristo, somente.

Há iniciativas de promover ajuntamentos de igrejas em determinadas cidades ou Estados. Os convites para tais encontros, entretanto, estão espalhados em diversos sites e blogs pela Internet. Talvez falte um veículo para divulgar os anúncios de eventos, encontros e conferências. Se esse for o caso, o site se disponibiliza a publicar os convites para esses encontros, bastante enviar um e-mail para igreja@igrejanoslares.com.br.

Cabe destacar também que os irmãos dos Estados Unidos realizam uma vez por ano a conferência anual das igrejas nos lares (http://www.site.house2house.com/events).

3) Como podemos definir igreja nos lares, igreja orgânica ou igreja simples?

Em primeiro lugar, essas referências que acompanham o substantivo próprio “igreja” (Simples, Orgânicas e nos Lares) não são encontrados na Bíblia. A igreja não tem “sobrenome” no Novo Testamento. A única referência que o Novo Testamento usa para a igreja é a cidade onde ela existe, ajunta-se e se relaciona com a sociedade: igreja em Corinto, em Felipos, em Antioquia, as sete igrejas nas sete cidades da Ásia etc. Esses “acompanhamentos” (nos lares, orgânica e simples), são apenas referências utilizadas atualmente para tentar descrever, em poucas palavras, como a igreja, sendo um organismo vivo, existe, relaciona-se com Deus, como os cristãos se relacionam uns com os outros, e como a vida da igreja se inicia e se expande.

Em outras palavras, é preciso ficar claro que:

a) não existe igreja nos lares! Existem irmãos que buscam viver Cristo a partir de suas famílias, de suas casas. Vivendo assim, a igreja testifica ser a família de Deus, não aceitando que o viver cristão ocorra em um templo por algumas horas e somente em um determinado dia da semana, enquanto que, dentro de casa, cada um vive seu viver egoísta e mundano. Ser igreja envove toda nossa vida e não momentos ou dias especiais, e começa na relação que cada um tem com o Deus Triúno, expandindo-se para a relação com seus familiares, alcançando parentes, vizinhos e amigos. Um viver baseado apenas em frequentar locais sagrados em dias especiais não é ser igreja, mas estar temporariamente “parecendo” igreja, por estar indo à igreja ou visitando à igreja.

b) Não existe igreja orgânica! A natureza da igreja é orgânica, porque ela é o Corpo vivo de Cristo e, como um organismo, todos os membros estão ligados ao cabeça e fazem parte uns dos outros. O mesmo sangue que circula na Cabeça é o sangue que circula nos dedos mínimos do pés. A igreja recebeu, ao nascer, um DNA, isto é, elementos divinos que produzem expontaneamente o viver da igreja na exata medida e expressão que a natureza e essência do doador desse “material genético”, isto é, a relação do Pai, Filho e Espírito. Assim como uma semente possui o DNA da árvore que a produziu, a igreja possui o DNA de Deus! A igreja é Santa, porque seu DNA é santo; a igreja é maravilhosa, porque seu DNA é maravilho; a igreja ama os miseráveis, porque seu DNA é o próprio amor que o Pai, o Filho e o Espírito derramam entre si; a igreja aprecia estar reunida, porque possui um DNA que reproduz o mesmo “magnetismo” sagrado e o apreço que o Filho tem em estar com o Pai, que o Pai tem em estar com o Filho; a igreja é una, porque seu DNA é inseparável e eternamente único. Em que pese cada cristão faça parte da igreja por ter nascido de novo, de acordo com o padrão do Novo Testamento, não se pode dizer que o ajuntamento de cristãos individuais e individualistas que não expressem esse DNA seja igreja no aspecto coletivo, o que, de maneira alguma, implica que esses mesmos cristãos não sejam parte do Corpo de Cristo. Eles são, de fato e de direito, mas podem estar perdendo a oportunidades de usufruir com mais intensidade da maravilhosa relação orgânica da vida da igreja tal qual projetada por Deus nas Escrituras.

c) Não existe igreja simples! A natureza da igreja, em que pese sua multiforme complexidade, é simples, porque Deus é simples. Olhe a natureza em sua volta: como as criaturas, plantas, árvores e flores são geneticamente tão complexas, mas, ao mesmo tempo, esse conjunto é tão simples e essa simplicidade traduz a beleza de uma harmonia que só pode ter sua origem na simplicidade de Deus. Essa mesma simplicidade está presente quando uma irmã ora por uma família, sem ninguém (humano) pedir; quando um casal visita outro casal e ali celebram juntos a vida em Cristo; quando irmãos visitam hospitais e presídios, simplesmente porque o Senhor lhes pediu para visitar; quando jovens se encontram para louvar a Deus sem nenhum “irmão mais velho” mandar; quando você, espontaneamente, prega o Evangelho para seus colegas de trabalho ou vizinhos; quando os irmãos se organizam para comprar uma cesta básica para um família em necessidades. Quando tudo isso ocorre de maneira simples, sem um programa semanal, sem uma ordem de um líder humano, sem uma escala de serviço pré-agendada, o mundo pode testificar a simplicidade da vida cristã. Hoje, muitas pessoas rejeitam o Evangelho porque vêem que a vida cristã é muito complexa para elas, possui muitos rituais, muitos manuais de comportamento e muitas atividades obrigatórias que elas não vão dar conta de seguir. O que as pessoas buscam hoje é um viver simples, relacionamentos simples e uma fé simples, que deveriam ser encontrados na simplicidade e singeleza do Cristo vivido na igreja. Nosso Senhor teve um viver tão simples nesta Terra; não tinha um lugar para dormir e não tinha muitos compromissos… Ele seguia apenas as orientações do Pai. Por fim, quando partiu desta Terra, deixou apenas alguns lençóis em um túmulo emprestado (Jo 20:5; Lc 24:12).

Concluindo: dizer que a vida da igreja ocorre nos lares e a partir dos lares, que ela é orgânica e simples é um eufemismo, isto é, soa como dizer que a Terra é redonda, que a noite é escura, que a água é líquida etc. Entretanto, a igreja atual se distanciou tanto do que vemos no Novo Testamento que, por mais absurdo que sejam, esses eufemismos são necessários e, misteriosamente, podem até chocar alguns, assim como . Há contudo o perigo de que esses eufemismos se tornem, em um futuro não tão distante, mais uma denominação.

Há alguns irmãos que, ao invés de utilizar a nomenclatura Simples-Orgânica-nos Lares, estão utilizando o termo REVOLUCIONÁRIO para designar os irmãos que estão se reunindo de forma orgânica. Particularmente, preferimos utilizar os termos “irmãos que se reúnem nos lares” ou “grupos que estão nos lares” ou ainda “irmãos livres”.

Quando alguém lhe pergunta:

– onde o irmão (ou irmã) reúne?” Ou

– o irmãos está em qual ministério?“, há vários irmãos que estão respondendo:

– nas casas, como está registrado na Bíblia.

Acho uma resposta bem satisfatória. Já quando alguém diz que está se reunindo em uma “igreja orgânica”, parece que está falando de um novo lançamento eclesiástico, de uma nova denominação pós-moderna; também, subliminarmente, parece que essa pessoa está dizendo para seu interlocutor: “– eu não reúno em um grupo institucional falido como você; mas estou no lugar mais neotestamentário e abençoado do mundo; estou praticando a verdadeira vida da igreja; estou no centro da vontade de Deus …“. Será?

Não existe uma igreja institucional ou uma igreja orgânica em constante choque. Existe apenas a igreja, aquela mesma descrita no Novo Testamento que se reúne nas casas como família, que é orgânica em sua natureza e que é simples na sua expressão e todos os que foram salvos fazem parte dessa única igreja, desse único Corpo, quer estejam usufruindo dessa realidade, quer não!

4) Na história da igreja, como podemos situar os irmãos que se reúnem nos lares?

De acordo com o mapa abaixo, com a Reforma, surgiu o ramo do cristianismo chamado de PROTESTANTISMO que, por sua vez, deu origem a vários grupos ou denominações cristãs, dentre elas:

a) Anabatistas

b) Protestantes históricos autônomos

c) Protestantes estatais (Anglicanos)

d) Restauracionistas

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo.

O movimento restauracionista, em sentido amplo, pode ser considerado como a tentativa dos grupos cristãos em voltarem às práticas da igreja primitiva. Nesse sentido, muitos grupos que depois se tornaram denominações podem ser considerados restauracionistas, como, por exemplo, os hussitas (irmãos da Boêmia), anabatistas (menonitas) e puritanos (influenciaram os presbiterianos).

Em um sentido mais estrito do termo, restauracionistas “é a postura histórico-teológica presente em denominações cristãs que acreditam que o cristianismo histórico apostatou em algum ponto de sua existência, sendo necessário restaurar o cristianismo primitivo da era apostólica”* Como os restauracionistas eram pessoas que se converterem em uma igreja reformada, sua origem está ligada ao cristianismo histórico e influenciada pela teologia tradicional naquilo que não contraria o registro da vida da igreja no Novo Testamento, especialmente no livro de Atos dos Apóstolos. Para os restauracionistas, há dois tipos de ajuntamentos cristãos: os oficiais e os não-oficiais, os institucionais e os não-institucionais. Para eles, são restauracionistas todos aqueles que não fizeram parte ou romperam com as instituições religiosas, uma vez que sempre teriam existido pessoas que buscaram restaurar algo que havia se perdido após o declínio da igreja primitiva, e que não compactuavam com a igreja oficial ou institucional de cada época e lugar. Assim, o restauracionista sempre está buscando o modelo original da vida cristã primitiva para fundamentar sua fé e basear suas práticas.

Para os críticos do restauracionismo, não há o que restaurar já que as verdades fundamentais estão muito claras na Bíblia. A necessidade urgente do Corpo de Cristo seria viver o que já está claro como amor, misericórdia e justiça, isto é, de experimentar o que já foi dispensado para o povo de Deus. O estudo constante de Bíblica em busca de “grandes verdades” teria produzido, para esses críticos, cristãos muito intelectuais, eloquentes e cultos, mas com pouco impacto na sociedade atual, tendo em vista a carência de poder em suas vidas e obras.

De qualquer forma, o restauracionismo permitiu ao Corpo de Cristo, como um todo, entender melhor o plano de Deus e as escrituras, na medida em que seus mestres se dedicaram e perscrutar a Palavra de Deus, trazendo a tona verdades como o significado dos tipos, as dispensações, o significado das parábolas, a necessidade de simplificar a vida da igreja e as estruturas de governo eclesiástico, o retorno ao paradigma do sacerdócio de todos os crentes, os conceitos de lei, graça, dons e ministérios, justiça, santidade, libertação, glorificação e muitos outros.

Fazem parte da corrente restauracionista:

a) Barton W. Stone e Thomas Campbel: em que pese pregassem a unidade do Corpo de Cristo, a dissidência entre seus líderes criou vários grupos cristãos, dentre eles, A Igreja de Cristo e os Discípulos de Jesus

b) John Nelson Darby e os irmãos de Plymouth: deram origem aos grupos de irmãos unidos abertos e fechado, isto é, inclusivistas e exclusivistas. Foram responsáveis pela apresentação com clareza (ou “restauração”) dos grandes temas da Bíblia, incluindo tipologia, a unidade da igreja e o erro do sistema denominacional, o significado das profecias, parábolas e dispensações. Dentre os irmãos unidos se destacam, além de Darby, Anthony Groves, Geoge Wingran, Benjamin Newton.

c) T. Austin Sparks: rejeitado pelos círculos denominacionais por sua franqueza em apresentar as verdades bíblicas, dedicou seu ministério a explorar a liberdade, vida e revelação de Cristo, deixando para o Corpo uma rica herança. Com seus escritos inspirou diversos cristãos que se ajuntaram ao restauracionismo da igreja.

d) Wachtman Nee: grande estudioso cristão, bastante influenciado pelos irmãos unidos, teve seu ministério focado no viver em Cristo, na fé e nas experiências de cruz como forma de libertação. Seus ensinamentos deram origem às igrejas locais, sem placas, tendo como referência apenas o nome da cidade onde estão. Acreditava que a vontade de Deus era um grupo de cristãos livres das divisões que dessem um testemunho da unidade em cada cidade. Muitos grupos foram e continuam sendo inspirados por seu ministério, como as comunidades evangélicas e as igrejas locais.

e) Witness Lee: oriundo do movimento dos irmãos unidos, tornou-se seguidor de Wachtman Nee; migrou para os Estados Unidos na década de 1960 e, posteriormente, criou e dirigiu a editora Leaving Stream Ministry. É o autor de uma série de estudos da Bíblia, denominados Estudos-Vida e de um comentário bíblico do Novo Testamento, chamado Versão Restauração. Classificava os cristãos que vivem nas cidades entre aqueles que dão testemunho da unidade e os que não dão, sendo o primeiro grupo considerado como igreja nessa cidade e o segundo não, por falta exatamente dessa “expressão” da unidade ou do testemunho da unidade, o qual não poderia ser dado por aqueles que estavam nas denominações ou “divisões” do Corpo de Cristo. Quase todo seu ministério está voltados para os que estão vivendo no seu conceito de unidade, mediante um testemunho, isto é, um grupo de pessoas reunidas em determinado lugar.

f) Derek Prince, Don Bastham, Bob Mumford, Charles Simpson e Ern Baxter: responsáveis pelo restauracionismo carismático, conhecido por MOVIMENTO PASTOREAR. Foi objeto de grande controvérsia em meados dos anos 1970 e influenciou a criação da Igreja de Cristo Internacional, do Ministério Maranata e da Grande Comissão Internacional.

g) Daniel Layne: fundado da igreja de Deus, denominação cristã criada em 1980. Os membros acreditam que foram ordenados pelas profeciais e pelo mandamento divino para restaurar a igreja.

Durante a história da igreja até a segunda volta de Cristo, Deus sempre irá caminhar através de alguns que se mantiveram fiéis às palavras de Cristo. Até mesmo a questão de se restaurar é algo que precisa ser “restaurado”. Quando se fala em restaurar parece que devemos consertar algo que se quebrou. Mas, se pensarmos bem, tudo o que o Senhor fez na Cruz não se quebrou e se Sua obra completa foi totalmente consumada, a questão não seria então restaurar algo mas desfrutar de algo já concretizado: Cristo e a igreja?

(*) Fonte: <http://www.religioustolerance.org/chrrest.htm> in <pt.wikipedia.org/wiki/Restauracionismo>.

5) Em um ambiente íntimo e familiar, como fica o relacionamento com os incrédulos? Hoje em dia não é perigoso convidar muitos desconhecidos para dentro de casa?

No ambiente de um templo ou local de reuniões grande, é muito simples tratar com os incrédulos. Você os convida para um reunião de evangelização e, se ele levantar a mão aceitando Jesus, será salvo; se não fizer isso, você deixa de convidá-lo para outras reuniões ou cultos ou pode dar a eles mais alguma chance de conversão.

Isso, contudo, não tem como ser aplicado em um ambiente familiar onde não há cultos dirigidos e onde as pessoas interagem de forma espontânea. Se uma pessoa é convidada para a sua casa, em outras palavras, você estará abrindo sua vida para ela, expondo sua família e o seu modo de viver. Isso envolve relacionamentos genuínos e não o conceito popular de EBC (evangelismo-baseado-em-convencimento).

Mas e quanto à comunhão entre luz e trevas?

De fato, não há comunhão possível entre os filhos da luz e os filhos das trevas. Entretanto, comunhão tem a ver com uma união orgânica com Cristo e uns com os outros, o que não é a mesma coisa que relacionamento. Posso ter comunhão somente com os filhos de Deus, mas posso ter relacionamentos tanto com filhos de Deus (o que é anormal) ou com incrédulos com vistas ao Reino (1 Co 5:9-11).

Cortar todos os relacionamentos com os incrédulos é sinal de falta de fé, para não dizer, falta de amor. Excluir pessoas do nosso convívio sem nem aos menos apresentar-lhes o que é uma vida com Deus costuma caracterizar inclusive algumas seitas diabólicas. O que o incrédulo que não quer a Cristo deve ter consciência é que, rejeitando a Cristo, ele se auto-exclui do Corpo de Cristo e da família de Deus, simplesmente porque não nasceu de novo.

Com quantas pessoas o Senhor se relacionou, curou e alimentou que, no final, não creram nEle? Será que Ele não sabia disso? E, mesmo sabendo, porque continuou abençoando esses “ingratos”? Por que Deus é amor e o amor é assim mesmo! Há muitas experiências, dando conta de que, por se relacionarem com a igreja, pessoas vieram a se abrir para Cristo e foram salvas (vide Atos 2:47). Você próprio deve ter sido salvo dessa maneira. Se furtarmos a igreja do convívio com os incrédulos, como eles serão salvos? O amor e cuidado em Cristo para com todos é a marca de um Cristão autêntico (Mt 5:16; Cl 3:23). O Filho do Homem veio para servir aos homens e não só aos filhos de Deus (Mc 10:45). Amor se dá sem esperar nada em troca, nem mesmo reconhecimento ou salvação (Lc 6:34, 14:14; 1 Co 13:4-7). Se você espera algo em troca, não está mais no Amor, mas está fazendo um contrato tácito ou dissimulado com as pessoas com as quais se relaciona, mesmo que seja a salvação: – olha aqui, eu só estou ajudando você porque espero que você seja salvo. Se você não quiser saber de Jesus, não quero saber de você! É assim que Deus ama? Por outro lado, considerar um incrédulo como filho de Deus e trazê-lo para dentro do convívio íntimo é um erro grave e pode trazer muitos problemas para a vida da igreja, inclusive de ordem moral para nós e nossos filhos. Nessa questão, precisamos ser simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes (Mt 10:16).

6) As igrejas que estão nas casas são muito diferentes em práticas ou crenças?

Há um conjunto de verdades nas quais todos nós, filhos de Deus, cremos e, por isso mesmo, nascemos de novo e nos tornamos irmãos. Alguém que alegue ter nascido de novo e afirma não crer nessas verdades está mentido ou não sabe o que significa o novo nascimento. Além disso, o novo nascimento também envolve um novo viver; alguém que nasce de novo, ganha uma nova viva que possibilita que essa pessoa tenha um novo viver. Alguém que afirma ter nascido de novo e não apresenta nenhuma mudança de viver, mínima que seja, possivelmente não foi regenerada (isto é, não recebeu uma nova vida), mas apenas concordou com os Evangelhos, “acreditando” que o que consta ali é verdade. Isso não é suficiente para o novo nascimento.

O conjunto de verdades que constam do Novo Testamento e que nos fazem filhos de Deus dizem respeito ao relacionamento com Deus e à experiência da Sua obra em nossas vidas. O Pai planejou, o Filho executou a obra do Pai e o Espírito aplicou essa obra nos crentes. Ainda que alguém não entenda bem a obra do Pai em planejar, escolher, predestinar, se esse tal não crê na obra do Filho em redimir, lavar e restaurar, tão pouco crerá na obra do Espírito em iluminar e aplicar tudo o que o Pai planejou e a redenção, juntamente com o poder da cruz e da ressureição, em nós. Não se trata, contudo, de um mero entendimento intelectual, mas sobretudo de um relacionamento vivo com Deus.

Há muitos outros assuntos no Novo Testamento, mas a pessoa e a obra de Deus compõem uma herança inegociável entre verdadeiros filhos. Dela, nenhum cristão autêntico pode abrir mão.

Há verdades relativas à forma como o batismo é realizado, assim como a forma como se expressam os dons espirituais; há questões também relativas à igreja, como ocorre a liderança e como são realizados os ajuntamentos e a ceia. Quanto a esses assuntos, as pessoas e grupos variam seu entendimento desde a prática obrigatória de determinadas atitudes exteriores até a inexigência dessa prática uma que vez que seja tenha sua realidade.

São questões polêmicas e que têm causado muita divisão entre os filhos de Deus, mas essas questões não são o centro da fé. O centro da nossa fé é Cristo! É para Ele que converge toda nossa atenção e nosso coração. Todos os grupos que acrescentam algo à esse centro da fé como pré-requisito para receber outros filhos de Deus, está exigindo algo que o Novo Testamento não exige e, certamente, irá criar mais uma divisão no Corpo de Cristo, mais uma facção.

Em que pesem todos busquemos ser “cristocêntricos”, isto é, não enfatizar nada além de Cristo no nosso convívio, os irmãos que se reúnem nos lares possuem sim diferentes ênfases quanto à forma como se desenvolve a vida da igreja e a forma de ajuntamento:

QUANTO À ÊNFASE NA VIDA DA IGREJA:

1) ÊNFESA NA PALAVRA: são grupos que se dedicam a estudar a Bíblia, acreditando que, através do conhecimento da Palavra, possamos chegar à maturidade espiritual e à unidade da fé. Possuem reuniões regulares para ministração da Palavra e geralmente têm um roteiro de livros ou tópicos para estudo.

2) ÊNFASE NO CONVÍVIO: são grupos que, apesar de terem razoável conhecimento bíblico, acreditam que a vida da igreja é uma vida de convivência mútua e ajuda mútua, tendo Cristo como Centro. Não possuem reuniões regulares de ministração da Palavra, deixando livre para qualquer membro compartilhar o que têm recebido do Senhor.

Através de um curto contato com esses grupos, você poderá notar qual é a ênfase adotada pelo mesmo.

QUANTO À RELAÇÃO ENTRE O ODRE (expressão) E O VINHO (conteúdo)

1) ÊNFASE NO ODRE: os grupos que sofrem influência dessa corrente, acreditam que, se você estiver na posição correta quanto à unidade, quanto à comunhão, quanto ao discernimento em relação às questões espirituais, então Cristo como o vinho novo poderá ser derramado em você. Os irmãos dessa linha valorizam extremamente as reuniões da igreja e à liberação de mensagens via púlpito. Em resumo, esses grupos acreditam a posição correta leva a uma condição correta.

2) ÊNFASE NO VINHO: os grupos influenciados por essa corrente acreditam que não importa quão correto você esteja, se não estiver em Cristo, você não terá realidade, mas apenas aparência. Para eles, estar teologicamente e doutrinariamente correto não garante a presença de Cristo na vida do filho de Deus. Para eles, um odre correto não garante que haja vinho. Esses irmãos não são ávidos por mensagens e conferências, preferindo ter comunhão pessoal com Cristo, acreditando que, desfrutando o vinho novo, o odre será produzido. Em resumo, esses grupos acreditam que o mais importante é a situação e não a posição.

FORMA DE AJUNTAMENTO:

1) EXCLUSIVAMENTE NAS CASAS: grupos que não aceitam ou não desejam reunir-se em prédios maiores, preferindo a multiplicação dos grupos sempre nas casas;

2) NAS CASAS E EM LOCAIS MAIORES: grupos que, apesar de se reunirem nas casas, também costumam se ajuntar em um lugar maior como escolas ou salões em periodicidade mensal ou eventualmente.

Cada uma dessas formas de ajuntamento, possuem seus muitos benefícios e muitos riscos de se tornarem uma nova religião, por isso, é importante que cada um veja como edifica.

Há também princípios ou atitudes comuns que os irmãos costumam valorizar e outras que costumam não tolerar:

ATITUDES INCENTIVADAS:

São atitudes incentivadas entre os irmãos que estão nos lares:

a) estar debaixo exclusivamente da autoridade do Espírito;

b) a tomada de decisões com base na comunhão de todo o grupo, não deixando essa função para determinada pessoas;

c) o desenvolvimento dos dons de TODOS os irmãos, voltados para TODO O CORPO DE CRISTO, não supervalorizando nenhum dom ou irmão em especial;

d) a busca individual, tanto na Palavra como na oração;

e) estar aberto a todos os genuínos ministérios do Corpo de Cristo, julgando todas as coisas e retendo o que é bom para edificação;

f) falar o que se experimenta e experimentar o que se fala, sempre buscando experimentar as verdades antes de expô-las aos outros;

g) a unidade do Espírito, no vínculo da paz;

h) ser verdadeiro e honesto consigo mesmo e com os irmãos.

ATITUDES DESENCORAJADAS:

Há diversas atitudes que basicamente todos os grupos concordam que são prejudiciais para o crescimento do Corpo de Cristo. Os grupos que se reúnem nos lares geralmente não toleram:

a) a aceitação qualquer forma de hierarquia na igreja, como o sistema de clérigos e leigos, seja explícita ou implicitamente;

b) o vínculo exclusivo a somente um ministro ou ministério;

c) a exclusão dos demais irmãos da comunhão, especialmente os que estão em sistemas religiosos;

d) a utilização de títulos religiosos (pastor, cooperador, apóstolo, missionário etc.), preferindo chamar-se uns aos outros apenas de irmãos;

e) supervalorizar o grupo em detrimento do serviço ao CORPO DE CRISTO;

f) a ênfase ou o combate às divisões do CORPO DE CRISTO, entendendo que Deus os utiliza e os suporta em Sua soberania com bem lhe apraz;

g) qualquer incentivo a modismos ou movimentos (“moveres”), nem o exercício de qualquer influência ministerial sobre os demais grupos.

h) a hipocrisia, a falsidade, a linguagem bajuladora ou ainda a exigência que os outros façam algo que aquele que fala não faz.

Isso não significa que os grupos que se reúnem nos lares são concorrentes ou disputem a posição de “verdadeira igreja”. Se isso está ocorrendo, então estamos de fato muito longe do que o Senhor relevou no Novo Testamento quanto ao Seu Corpo.

Ter diferentes ênfases significa apenas que os grupos são formados por seres humanos que também são diferentes e costumam se reunir com base nas coisas que têm em comum.

Cremos que é possível ter diferentes ênfases sem, no entanto, ser divisivo ou exclusivista. O problema todo surge quando há a imposição da ênfase ou de uma doutrina, surgindo daí a religiosidade que outrora os mesmos grupos combateram.

Nunca é demais falar que a ênfase de um genuíno filho de Deus e de um grupo que se identifica como igreja não é uma doutrina, é uma pessoa: Jesus Cristo. Todas as demais ênfases redundarão, cedo ou tarde, em mais divisões no Corpo de Cristo.

7) COMO É ENCARADA A QUESTÃO DA LIDERANÇA ENTRE OS IRMÃOS QUE SE REÚNEM NOS LARES?

Tudo o que está no Novo Testamento foi registrado com um propósito e Deus foi e é soberano para conduzir o registro conforme seu Plano Eterno. No Novo Testamento, o mesmo princípio se apresenta, com acréscimo de que, tanto em Atos, como nas Epístolas, há registros de como os irmãos viviam dentro de sua cultura, seja judaica, seja grega, e, mesmo assim, estavam cultivando um relacionamento com o Pai, em Cristo, pelo Espírito. A consideração desse pano de fundo, chamada por alguns de “contextualização”, é essencial para se entender o Novo Testamento. Além disso, cada versículo do Novo Testamento precisa estar alinhado com as palavras de Jesus e com a revelação principal da Nova Aliança: nos corações o Senhor vai imprimir as suas leis, isto é, Deus quer se envolver com o homem, através de Dispensar Cristo para o nosso interior, transformando-nos como a seiva de uma árvore transforma um galho enxertado.

Bem, voltando à questão inicial. Para entender a questão de autoridade na igreja, precisamos primeiramente responder a seguinte pergunta: o Senhor Jesus, o mesmo que disse que edificaria Sua igreja, continua no nosso meio? Se a resposta for positiva, então Ele e somente Ele é a autoridade entre nós. Ninguém mais tem essa autoridade. Ele não delegou essa autoridade a quem quer que seja. Agora, se Ele não mais está no nosso meio, então é possível questionar se alguém recebeu alguma “delegação” dEle, por quanto tempo e em que circunstâncias. Particularmente, penso que o Senhor continua entre nós, como Ele prometeu nos Evangelhos (Mt 28:20). Comento isso, só para introduzir a questão de que presbíteros, pastores e bispos não são autoridade na igreja, pois a autoridade é Jesus. Com relação ao significado dessas palavras, vejamos:

– Bispo: sinônimo de presbítero (At 20:17, 28)

– Presbítero: significa ancião a partir da transliteração do grego

– Ancião: pessoa espiritualmente madura ou experimentada

– Pastor: um dom ou função, assim como evangelista, mestre, apóstolo, ou qualquer outro dom (Ex.: Romanos 12 e 1 Coríntios 12)

Colocados os conceitos nos devidos lugares, então, o que podemos questionar é se um ancião exerce liderança na igreja. Como mencionado acima, a liderança da igreja cabe a Cristo, o cabeça e a ninguém mais. Mas então qual é a função do ancião? Quando o Novo Testamento fala de ancião, ele não está mencionando uma função, mas sim uma pessoa mais velha (função e pessoa são assuntos bem diferentes). Agora, em que uma pessoa mais velha pode ser útil no meio dos irmãos? Em muitas áreas, especialmente no aconselhamento dos novos e como exemplo de fé e dedicação ao Senhor. Um irmão vai diante de Deus e entende que deva abandonar a profissão e seguir o Senhor como Evangelista. No entanto, ele não tem certeza absoluta disso. Uma das coisas que ele pode fazer e procurar um ancião e verificar o que o irmão percebe sobre esse assunto. Espera-se que um ancião, de fato, tenha experimentado muitas situações do ponto de vista humano (educação, casamento, trabalho, criação de filhos, estudo da Palavra etc.), assim com tenha experimentado Cristo na Sua vida, aprendendo as dolorosas lições da Cruz. Normalmente o ancião não dará uma resposta positiva ou negativa, mas possivelmente contar algumas experiências, sejam suas ou de outros irmãos…

João em Sua epístola diz que os Pais conhecem Aquele que é desde o princípio (1 Jo 2:13) – isto é, os anciãos tem muitas experiências com Deus desde o início da sua fé e assim poderiam orientar os mais jovens que estiverem passando por experiências similares. Assim, quanto mais experiências tiver um ancião, mais útil seus conselhos serão. Isso nada tem a ver com dirigir os irmãos. Tem a ver com amar os irmãos e, assim como um avô orienta um filho adulto, um ancião poderia orientar os irmãos que o procurarem. A orientação do Senhor é levarmos os pés uns dos outros; é nos humilharmos; é servimos aos outros como escravos – Como pode um escravo exercer liderança ou impor algo a alguém? Esse princípio é vital para entender a liderança no Novo Testamento (Jo 13:14-16, Rm 12:10; Ef 5:21).

Cremos que um ancião, assim como qualquer irmão, pode ter um ou mais dons, um ou mais ministérios. Um jovem pode ter o dom de pastorear e um ancião pode ter o dom de hospedar. Deus distribuiu os dons no Corpo conforme lhe aprouve (1 Co 12:18). Em um viver normal da igreja, espera-se que um irmão mais maduro espontaneamente tenha um cuidado em amor dos mais novos (1 Pe 5:1-2), mas isso não significa que todo ancião deva apascentar e pastorear os irmãos. Entendemos que o amor que é a expressão da vida deveria ser mais evidente entre os mais velhos, naqueles que experimentaram mais tempo e em mais situações o amor de Deus, principalmente na sociedade individualista e egocêntrica em que vivemos. Deveria ser dos anciãos a iniciativa de visitar os irmãos, orar por eles, entender seus conflitos e lutas e lutar com eles. Infelizmente, muitos deveriam ser anciãos, ainda aguardam ser cuidados pelos outros, quando na realidade deveriam sair de suas casas confortáveis e pastorear o rebanho de Deus.

Outra questão interessante acerca dos dons ou função, diz respeito ao dom de presidir ou liderar (Rm 12:8). Muitos, erroneamente, associam o dom de pastor ao do de presidir. Ora, não faz sentido associar dois dons se não vemos no NT qualquer relação entre eles. Se alguém, por exemplo, discutisse a relação entre o ancião (pessoa) e o dom (função) de liderar, tudo bem, poderíamos discutir essa questão.

Quanto ao dom de presidir, esse dom possivelmente tem relação com a capacidade de tomar iniciativas. Por exemplo, Pedro, nos Evangelhos, por causa da sua própria natureza, tomou iniciativa em várias ocasiões. Segundo a direção do Espírito, alguns irmãos podem ter recebido o dom de tomar iniciativa. Isso é absolutamente normal em um viver comunitário. Tomar a iniciativa, entretanto, não significa tomar decisões pelos outros (tomar a iniciativa e tomar decisões são coisas diferentes). Na vida da igreja, conforme tratado no Novo Testamento, as decisões são tomadas por todos os irmãos e não por uma pessoa ou grupo de pessoas.

Paulo exorta que quem tem esse dom deve exercer com CUIDADO, ZELO ou DILIGÊNCIA (dependo da versão utilizada). Um irmão que tem o dom de liderar, por exemplo, sente que deva marcar uma reunião de evangelismo ou sente vontade de convidar os irmãos para um acampamento, em um feriado prolongado. Ele ora acerca do assunto e, não sentindo nenhum impedimento, ele então procura os irmãos mais velhos para falar sobre o seu sentimento; após a comunhão, ele continua sem sentir algum impedimento e abre a questão para os demais irmãos. Os irmãos então oram e compartilham seu sentimento a respeito do assunto, concordando que Evangelismo seria mais interessante. A decisão é tomada pela igreja. Nesse exemplo, o irmão que tem o dom de liderar usou seu dom para ter iniciativa e levou a questão ao Corpo; os irmãos então decidem fazer isso ou aquilo e se tornam responsáveis por sua decisão. Pode parecer um pouco complicado ou demorado, mas cremos que isso é uma espécie de proteção para a igreja, onde as responsabilidades são compartilhadas por todos.

Também é importante notar como o Senhor tratou a questão da liderança entre os gentios (Mt 20:25-28 e Lc 22:25-26) e a questão da liderança no meio religioso judaico (Mt 23:8-12).

Tanto no caso dos gentios, como na questão religiosa, há um sistema hierárquico de obediência e relação de poder. O Senhor, aos Seus discípulos, deixou claro que seus discípulos não adotariam nem o modelo gentio, nem o modelo religioso – NÃO SERÁ ASSIM ENTRE VÓS. Na Nova Aliança, todos vão diretamente a Jesus e Ele é o líder presente. Entre os gentios, eles precisam ir aos governantes para resolver seus problemas. Entre os discípulos, eles vão a Cristo resolver suas questões. Entre os religiosos, eles iam os rabinos ou mestres para saber o que Deus pensava a respeito de determinada questão. Entre os discípulos, nós vamos a Cristo para saber o que Deus pensa, uma vez que Ele e o Pai são um (Jo 10:30).

Segundo Frank Viola:

“- No mundo gentílico, os líderes operam a partir de uma base política e de uma estrutura social do tipo cadeia de comando – uma rígida hierarquia. No Reino de Deus, a liderança flui de um sentimento de ternura quase infantil e do serviço sacrificial.

– No mundo gentílico, a autoridade se baseia em posições e patentes. No Reino de Deus, a autoridade se baseia em um caráter divino. Veja como Cristo descreve um líder: seja servo´ e ´seja como o mais jovem´. Aos olhos do nosso Senhor, ser precede fazer. E fazer decorre de ser. Em outras palavras: função sucede caráter. Aqueles que servem o fazem porque são servos.

– No mundo gentílico, grandeza é algo medido por proeminência, poder externo e influência política. No Reino de Deus, a grandeza é medida pela humildade e disposição em servir.

– No mundo gentílico, os líderes se valem de suas posições para dominar os outros. No Reino de Deus, líderes rejeitam reverencias e distinções especiais. Pois preferem ser considerados como ´os mais jovens´. Em síntese, a estrutura hierárquica de liderança caracteriza o espírito dos gentios e é própria deste. Portanto, sua implantação na igreja está em claro conflito com o cristianismo do Novo Testamento. Nosso senhor não mediu as palavras ao declarar seu menosprezo pela noção gentílica de liderança: ´Não será assim entre vocês´ (Mt 20:26)” (Reimaginando a Igreja, p. 156/157).

Quanto à liderança, por fim, precisamos repensar a “doutrina da delegação de poder”, isto é, a doutrina segundo a qual, Deus delegou a determinadas autoridades uma parcela de poder e por isso devemos submeter-nos a essa autoridade. Essa doutrina está baseada principalmente em Romanos 13:1. Entretanto, a suposta delegação deve ser entendida dentro de um contexto. Trata-se de um contexto gentio ou de um contexto cristão?

Por exemplo: entre os gentios, Deus permitiu que determinadas pessoas recebessem autoridade, seja em sistemas democráticos, mediante eleições, sejam em sistemas ditatoriais, através da tomada violenta de poder. Deve-se atentar também para a diferença entre DEUS PERMITIR e DEUS APROVAR. Deus permitir, não significa, entretanto, Deus aprovar – significa apenas que, dentro do Seu Plano Soberano, Ele não quis interferir na relação de poder entre os homens ali. Deus sabe o que faz. Mas qual o limite dessa submissão? Até onde ela não prejudicar a fé. Quando a autoridade permitida aos gentios torna-se um impedimento para a fé, os filhos de Deus precisarão fazer escolhas, entre o Seu Senhor ou o ditador déspota (Dn 3:16-18). Não havendo esse conflito, os filhos de Deus devem honrar o rei (1 Pe 2:17).

Dentro do contexto cristão, isto é, entre os filhos de Deus, como ocorre a liderança? Na Nova Aliança, a liderança está intimamente relacionada ao uso do dom, isto é, quando alguém, pelo Espírito, está exercitando seu dom, Ele, naquele momento, está exercendo a liderança. Quando essa pessoa deixa de ser um canal para o Espírito, ela deixa de exercer a liderança. Entre os filhos de Deus, não há liderança “delegada”; há apenas liderança por transmissão, isto é, quando alguém está “sintonizado” ao Espírito, o dom que está sendo usando no momento é, digamos, o dom necessário. Por exemplo, entre cinco irmãos, um deles tem o dom de curar; outro, o dom de serviço; outro, o dom de profetizar; outro, o dom de pastorear; outro ainda, o dom de ensinar. Quando uma pessoa está doente, é espontâneo que o dom de curar se manifeste; quando alguém está sofrendo tribulações, é de se esperar que o dom de pastorear apareça; quando houver uma necessidade de um trabalho específico, normalmente o irmão que tem o dom de serviço irá notar e se oferecer para servir. Em um ambiente normal, todos os dons funcionam. Não há concorrência entre os dons, mas sim cooperação.

O Corpo Humano também oferece um bom exemplo de como funciona a questão da liderança. Quando alguém está andando, a liderança cabe às pernas, pés e juntas. Quando alguém está falando, a liderança cabe à boca; quando alguém está ouvindo, o ouvido exerce a liderança. Como se pode notar, a liderança entre os filhos de Deus não é permanente, nem delegada; ela é temporária e transmitida, isto é, ela é circunstancial. Existe um perigo enorme na doutrina da delegação aplicada aos filhos. Alguém que pode ter sido muito usado por Deus em determinado momento, poderá não sê-lo posteriormente, mas se houver uma delegação, então, não importando a situação espiritual do “líder”, os demais deverão ainda se submeter a ele, o que poderá acarretar uma série de danos materiais, psicológicos e espirituais aos santos, fora questões sérias de desvio da Palavra e multiplicação de heresias. Quanto à questão da autoridade transmitida, aconselhamos a leitura do livro Autoridade Espiritual de David Dyer.

Concluindo:

1. Novo Testamento, a liderança e a Autoridade cabem a Jesus. Ele é o único líder e é Ele quem edifica a igreja (Mt 16:18).

2. A doutrina da “liderança delegada” deve ser revista, devendo-se sempre diferenciar a questão da liderança no mundo e a liderança entre os filhos de Deus (Mt 20:25-28 e Lc 22:25-26 versus Mt 23:8-12).

3. Na igreja, qualquer membro pode ser usado pelo Cabeça para, em determinada situação, ser usado como liderança (Jo 15:5). A liderança na igreja é circunstancial, isto é, é temporária e transmitida, expressando-se na medida em que a pessoa ou dom são necessários e estão em conexão com o Cabeça (compare At 2:13 com Gl 2:6, 11).

4. A liderança na igreja é utilitária, isto é, está baseada na necessidade e na utilidade dos dons. O dom, em uma situação concreta, pode ser facilmente identificado (1 Co 12:7).

5. Espera-se que os irmãos mais experientes (anciãos) ajudem os mais novos, a partir do seu exemplo de vida e de dedicação ao serviço ao Senhor (1 Pe 5:3; 1 Tm 4:12; Fp 3:17)

6. A tomada de decisão, na igreja, ocorre através de todos os santos e não através de um grupo de pessoas ou, muito menos, de uma pessoa (Mt 18:19; At 15:22, 25)

Outras perguntas? Mande um e-mail para igreja@igrejanoslares.com.br

Comments (8)

  • Jorge

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    Gostaria de saber se há algum grupo que se reúne nas imediações do Residencial Santos Dumont, Santa Maria-DF.
    Obrigado.

    Reply

  • Silvana

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    Eu e minha família éramos membros de uma igreja institucional em bh Igreja Batista da lagoinha), e agora estamos sem a comunhão com outros irmãos porque tivemos que sair de lá, exatamente por percebermos que há um outro evangelho sendo pregado lá. E que isso a que chamam igreja não é de fato a igreja. Bem, estamos a procura dos irmãos em Cristo e queremos participar de uma reunião em Belo HOrizonte. Obrigada

    Reply

    • luciana

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      Cara Luciana, grato por contatar o site. Estou encaminhando seu e-mail para irmãos que conhecem os irmãos de BH. Chegando a resposta, encaminho para você. Grande abraço e que Deus lhe abençoe mais e mais.
      Em Cristo,

      Igreja nos Lares

      Reply

  • Erick

    |

    Gostaria de saber se existe alguma igreja organica ou algum grupo semelhante se reunindo em são paulo capital….meu email é malconcorley@gmail.com
    eh soh escrever que eu estou muito afim de me envolver mais com igrejas organicas
    abraços
    Erick

    Reply

  • Fernanda

    |

    Ola, minha duvida eh a mesma do Erick acima (sobre sao paulo capital).

    Reply

    • Leandro

      |

      Olá, Fernanda.
      Eu participo de um pequeno grupo bem informal que congrega na forma de igreja orgânica (doméstica*) em São Paulo (Capital) geralmente aos sábados às 18h perto do metrô Butantan. Pode entrar em contato com a gente.
      (*) Não costumamos nos reunir nas nossas casas porque cada um mora numa região. Mas nos reunimos em lugares públicos mas reservados, como lanchonete ou biblioteca perto de metrô ou, na esmagadora maioria das vezes, em alguma sala de estudos da USP, que é um local público mas discreto.

      Reply

  • Eduardo

    |

    Achei maravilhoso tudo o que li, sou membro da Igreja de Cristo, oriunda do movimento de Restauração (Alexander Campbell) e já temos grupos que se reúnem nos lares.
    Não entendo porém, algumas coisas.
    Vejo no Novo Testamento que embora houvessem igrejas nas casas, as cartas eram dirigidas a uma igreja local, como isso seria possível? E os anciãos das 7 igrejas do Apocalipse, eram irmãos maduros encarregados de levar a mensagem para toda a Igreja?

    Reply

    • admin

      |

      Caro Eduardo,
      Grato por visitar o site. Na seção FAQ (Perguntas Mais Frequentes), no item 7 – é tratada a questão da liderança e, por conseguinte, um entendimento acerca do presbitério. As Epístolas e, aliás, a Bíblia toda continua sendo enviada para igrejas, isto é, para pessoas regeneradas. Toda pessoa que se volta para o Senhor e tem acesso às Escrituras continua recebendo essas “epístolas” e isso vai continuar ocorrendo até a volta do Senhor (assim espero). Agora, talvez a sua pergunta se deva ao fato de que, naquela época, esses cristãos todos se reuniam na unidade do Cabeça em cada cidade. Como não havia denominações naquela época e os cristãos não eram tantos, então uma epístola enviada para uma igreja como Colossos certamente iria chegar nas mãos dos únicos irmãos nessa cidade, os quais eram facilmente identificados. Essa unidade física foi perdida no tempo. Os muros que deviam separar os cristãos do mundo acabaram separando os cristãos entre si. Chegamos a uma situação de que hoje não podemos falar mais de expressão única e visível da igreja em uma cidade, mas cremos de todo o coração que, aos olhos do nosso maravilhoso Pai celeste, ainda há uma igreja em cada cidade, a qual é formada por todos aqueles que estão em Cristo, os que estão preservando a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4:3), os verdadeiros adoradores que adoram no espírito (Jo 4:24). Quem são eles? Onde eles estão? Só o Espírito Santo sabe! Somente o Espírito pode sondar mentes e corações e somente Ele pode dizer quem está neste exato momento em comunhão com o Pai e com o Filho e quem não está. Ninguém mais tem essa qualificação (caso tivesse seria então Deus). Todos os grupos que procuraram usurpar, ao longo da história da igreja, essa função que era e é do Espírito acabaram por criar mais seitas e divisões no Corpo. Além disso, dizer que somente determinado grupo está vivendo na realidade do Reino implica dizer que todos os demais filhos de Deus não estão em Cristo, isto é, estão em pecado, no mundo ou perdidos em suas próprias mentes. Entretanto, cada novo grupo que surge procura “marcar território” consciente ou inconscientemente, acreditando que:
      – aqui sim há a verdadeira unidade, a verdadeira igreja, veja se reunir conosco!

      Essa triste história tem se repetido durante séculos desde a era apostólica (1 Co 3:4). Vamos deixar com Deus essa questão de definir quem esta vivendo na realidade e quem não está vivendo. Vamos deixar que outros testemunhem e não nós (Jo 5:31). Ficar usurpando a função do Espírito e testificando acerca de nós mesmos somente gerará soberba e vanglória que, por sinal, precedem a ruína.
      Quanto às sete igrejas de Apocalipse, entender que as estrelas que estão na mão do Senhor são os presbíteros é uma interpretação apenas. Apocalipse literalmente não diz isso. O que Apocalipse diz é que as sete estrelas são anjos (Ap 1:20) e esses anjos são aqueles que recebem a mensagem para repassar à determinada igreja. Sabemos que a palavra “anjo” significa “mensageiro”. É possível que esse anjo seja literalmente um anjo, mas também é possível que esse anjo seja um irmão, uma pessoa de carne e osso, que por estar ligada ao Cabeça, isto é, em intimidade com Cristo receba dEle uma mensagem. Essa mensagem, por sua vez, pode ser uma profecia, uma visão, uma palavra de sabedoria, uma palavra de conhecimento, um encargo de oração ou uma orientação. Esses anjos também poderiam ser os apóstolos, em que pese todas essas igrejas estejam na Ásia menor. É também possível que essas pessoas tenham existido apenas na época em que João escreveu, mas também é possível que essas pessoas existam ainda hoje. Há muitas possibilidades.

      Entretanto, também devemos notar que no final das cartas às igrejas há uma advertência:

      – quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

      A final quem trouxe a mensagem foi o anjo ou foi o Espírito?

      Como na Bíblia cremos que não há contradição, é provável que esses anjos sejam apóstolos do passado (enviados), mas também filhos de Deus que ao longo das eras estavam ligados ao Cabeça a tal ponto que estavam totalmente nas Suas mãos e, por tal intimidade, puderam receber uma mensagem, um encargo, uma direção para levar para determinada igreja local. Isso, contudo não garante de forma nenhuma que essa pessoa seja presbítero ou tenha uma função exclusiva no Corpo. O texto e o contexto não dão a entender isso. Mas todos aqueles que estão em Cristo podem trazer algo de Cristo (Ef 5:19; 1 Co 14:26, 31), falando no espírito e pelo Espírito – assim quem tem ouvidos então deve ouvir o que determinado irmão ou irmã que estão no Espírito estão dizendo às igrejas. É também interessante notar que a palavra igrejas está “no plural” e isso indica que precisamos também atentar para o que o Senhor está falando para outras igrejas locais, isto é, para outros irmãos também e não somente para nosso “grupinho seleto”. Precisamos manter um coração aberto para ter comunhão com todo o Corpo de Cristo, independente onde os irmãos estejam e qual o grau de percepção que tenham da unidade, e assim certamente seremos abençoados pelo falar do Espírito ao Corpo de Cristo.

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