9) As igrejas que estão nas casas possuem um padrão, regra de fé ou princípios com os quais todos concordam?

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As igrejas que estão nas casas não possuem um padrão doutrinário ou uma prática homogênea. Nas coisas essenciais, todos nós temos as mesmas crenças, mas nas coisas não-essenciais, nos permitimos cada um entender da forma como alcançamos (Rm 14; Fp 3:15). Em assuntos como ceia, batismo, uso do véu, línguas, tipos de reuniões e frequência, há um espectro que vai desde a observância literal dos versículos bíblicos respectivos até os que acreditam que tais coisas são puramente espirituais, devendo ser discernidas espiritualmente em cada caso concreto.

Além disso e infelizmente, há grupos que se reúnem em torno de crenças comuns, formando inconscientemente como que “tribos“. Isso empobrece nossa a experiência do Corpo, mas é algo extremamente difícil de evitar.

Na prática, muitos grupos que estão nas casas podem ser identificados como:

a) grupos fundamentalistas – vivem em torno de interpretações Bíblicas e estudos bíblicos;

b) grupos pragmáticos – vivem em torno de resultados concretos e obras; e

c) grupos pentecostais – vivem em torno de manifestações sobrenaturais.

Esses grupos geralmente são formados por pessoas que têm os dons voltados para essas áreas, ou talvez o líder tenha um dom proeminente que, inconscientemente, acabou influenciando os demais. Infelizmente, pessoas de um grupo não conseguem interagir com pessoas de outro grupo, por problemas de comunicação na maioria dos casos. Embora, o Corpo de Cristo envolva todas essas experiências (Palavra, obras e manifestações de poder), o Corpo não é nenhuma delas. O Corpo é o somatório delas e muito mais… O ideal seria que os grupos não acatassem esses rótulos e estimulassem os diferentes dons dos irmãos, abandonando preconceitos, a fim de que, com o auxílio de toda junta, o Corpo fosse edificado, na multiforme sabedoria de Deus. Se não conseguirmos passar por esse teste, é possível que fiquemos bem aquém do que diz a Palavra de Deus e surja alguma frustração. Além disso, gravitar em torno de práticas ou doutrinas, certamente produzirá divisões no Corpo, criando-se partidarismo do tipo: aqui todos nós pensamos desta forma (aliás, esse é o mesmo caminho das instituições). Esse é um perigo real e precisamos estar sempre atentos, com os corações abertos para receber os dons diferentes dos nossos, por que, a edificação sempre vem por complementação e não por exclusão. Uma igreja sadia possui os mais diferentes dons para as mais diferentes necessidades. Uma igreja doente não aceita a diversidade e procura abafar os dons que não compreende.

Precisamos uma vez por todas entender que nosso grupo, isto é, os irmãos com quem temos mais comunhão, não terá todos os dons necessários para a edificação. Por isso, precisamos de todo o Corpo de Cristo – por isso precisamos uns dos outros, mesmo que não concordemos com alguns pontos de vista.

Havendo até mesmo profecias, elas passarão, mas o amor jamais passará (1 Co 13:8). Se o ponto de vista é mais importante que o irmão, então certamente já perdemos o amor há muito tempo e não sabemos… e quem perdeu o amor, também perdeu contato com Deus por que Deus é amor (1 Jo 4:8,16). Se existe um padrão, princípio ou regra de fé que nos una que seja o amor.

Isso de maneira de nenhum significa que não vamos expor nossos pontos de vista. Precisamos falar o que pensamos. Precisamos dar a razão da nossa fé. No sistema religioso, éramos proibidos de pensar ou externar nosso pensamento. Na vida da igreja, expor essas coisas é essencial para uma vida saudável. Falar o que pensamos sem medo é a nossa proteção. Agora, expor é uma coisa; tentar convencer à força os irmãos é outra bem diferente. De preferência, o ideal é, ao invés de expor doutrinas, expor nossas experiências com a Palavra de Deus para que a experiência seja o veículo que irá conduzir a Palavra. Primeiramente os discípulos viveram com Cristo e experimentaram Cristo no seu dia-a-dia, depois eles expuseram seu testemunho a respeito daquilo que ouviram e viram (At 4:20; 1 Jo 1:1-3). Por fim, a experiência deles com Cristo tornou-se as Escrituras Sagradas. Permita que sua experiência com Cristo torna-se o falar de Cristo aos irmãos. Isso será muito mais efetivo do que tentar convencer os irmãos que você está certo e eles, errados.

Amar os irmãos também é ajudar os que estejam equivocados com suas práticas ou até mesmos estejam vivendo em pecado deliberado. Quem ama, exorta! Mas que se exorte com todo o amor e misericórdia que procedem de Deus, baseando-se sempre em fatos concretos e não em discussões de palavra, nem muito menos em suposições. O que não podemos é nos dividir por questões puramente doutrinárias. Se devemos amor nossos inimigos, o que fazer então com nossos irmãos? (Mt 5:44).

Acerca desse assunto, seria muito interessante a leitura do livro REVISA-NOS NOVAMENTE do irmão Frank Viola.

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